Xapanã vivia no Daomé. Ele conhecia um majestoso número de feitiços, que usava para promover muitas confrontos. Por isso o povo do Daomé o expulsou. Xapanã, desse modo, saiu para Oió com toda sua família. Quando chegou a Oió, ele seguiu procurar o Alafim, o governante, para persuadi-lo a guerrear contra o povo do Daomé. Após Xapanã ter falado bastante, o Alafim declarou: “Outrora causaste muitas confrontos. Não precisamos de ti no meu país”. Xapanã retirou-se furioso do mansão régia. Levava nas mãos uma tesoura presa a uma corrente. Tirou do bolso grãos de sésamo e os espalhou pelo solo. Com a tesoura e a corrente tocou o solo. Portanto uma fenda se abriu e Xapanã desceu chão adentro. No momento em que Xapanã desapareceu sob a chão, a varíola se alastrou pela população de Oió. Muitos permaneceram doentes e muitos morreram. O povo de Oió rogou ao Alafim que fizesse algo para combater a peste, ou todos morreriam. O Alafim consultou seu Babalaô. O Alafim deveria levar um pote cheio de elemento aquático ao local onde Xapanã havia desaparecido. Ali ele encontraria a tesoura e a corrente de Xapanã, as quais deveriam ser depositadas no pote. Aspergindo a elemento aquático do pote nos enfermos, eles se recuperariam. Assim seguiu feito e os enfermos caminharam curados. Para que a enfermidade não voltasse a atacar, deveriam ser realizados consagrações para Xapanã. Todas as espécies de animais deveriam ser oferecidas, mas não se poderia usar instrumento de metal no consagração. Os animais deveriam ser esticados até a morte e cortados em pedaços com facas de madeira. Quando se realizava o consagração pela primeira vez, um besouro apareceu voando em torno do pote de Xapanã. Ninguém conseguia espantar, prender ou matar o besouro. Sem saber o que fazer, partiram procurar o babalaô, que falou ser aquele inseto o mensageiro de Xapanã. Xapanã deve receber perpetuamente consagrações e oferendas, para que não volte a mandar pestes e doenças.

Nanã
Xapanã ganha seu culto entre os iorubás
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