Numa manhã coberta de neblina, sem suspeitar onde se encontrava, Xangô dançava com alegria ao som de um tambor. Xangô dançava alegremente em meio à névoa quando apareceu uma figura feminina enredada na brancura da manhã. Ela interrogou-lhe por que dançava e tocava naquele lugar. Xangô, perpetuamente petulante, contestou-lhe que fazia o que ansiava e onde bem lhe conviesse. A pessoa escutou e replicou-lhe que ali ela governava e desapareceu aos olhos de Xangô. Mas ela lançou sobre Xangô os seus eflúvios e a névoa dissipou-se, deixando ver as sepulturas. Xangô era poderoso e alegre, mas temia a morte e os mortos, os eguns. Xangô sentiu-se aterrorizado e saiu dali correndo. Mais tarde Xangô se dirigiu à residência de Orunmilá se consultar e o idoso declarou-lhe que aquela dama era Euá, a dona do cemitério. Ele estava dançando na morada dos mortos. Xangô sentia pavor da morte e desde desse modo em nenhuma circunstância mais entrou num cemitério, nem ele nem seus seguidores.

Nanã
Euá atemoriza Xangô no cemitério
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