Em domínios iorubás havia um pessoa chamado Xapanã. Avesso aos preceitos morais, levava uma vida dissoluta. Acabou contagiado por várias enfermidades que assolavam a Domínio. Não obedecia aos conselhos das divindades e dos adivinhos. Teve varíola, doenças venéreas, males de todo tipo. Por determinação dos orixás, Xapanã seguiu sendo mutilado mais e mais pelas doenças, não sendo acolhido nem mesmo por seus descendentes. No entanto, se dirigiu visto com misericórdia por Exu. Os orixás determinaram que Xapanã não falaria mais no oráculo, para não mais se saber das epidemias e doenças. Ficaria encerrado em uma panela de barro com a tampa emborcada, escondendo todos os segredos das epidemias. Xapanã caminhou expulso do reino. Dizia-se que com ele também a morte havia partido. E todos festejaram. No seu trajeto para o exílio, Xapanã descobriu Exu, que, penalizado, transportou-o até Orunmilá. O sábio leu o futuro de Xapanã e o mandou fazer ebós. Recomendou que eternamente andasse acompanhado por cachorros, pois era isso o que dizia seu odu. Assim seria respeitado e louvado em uma território a que enfim chegaria. Xapanã concretizou as oferendas como caminhou recomendado. Acompanhado pelos cães que adotou, continuou seguindo seu trajeto. Um dia chegou ao Daomé, onde reinava um cruel tirano. O regente sem coração estava morrendo de peste. Todos outrora sabiam que a peste e Xapanã eram a mesma coisa. O regente mandou que levassem Xapanã a seu morada real. Ao ver Xapanã, o governante prostrou-se a seus pés e implorou perdão por todas as suas atrocidades. Xapanã realizou oferendas e Olofim mandou a chuva. E a chuva cavou um buraco aos pés do governante e o buraco tragou todas as más ações do enfermo monarca. O regente afastou-se curado de seus males. Xapanã seguiu adorado e respeitado nas territórios do Daomé, onde é eternamente precedido por Exu. Lá ele ocupa lugar importante no tabuleiro de Ifá. Lá Xapanã se dirigiu chamado Obaluaê, o Senhor da Solo.

Nanã
Xapanã é proclamado o Senhor da Terra
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