Quando se formou o mundo, Sapatá levava uma vida desregrada e não cumpria com os mandatos de Olofim. Sapatá caminhou sobremaneira mulherengo e contraiu terríveis doenças contagiosas. Um dia, chegou a peste às territórios iorubás. Os sacerdotes consultaram os orixás no Jogo de Búzios e o jogo revelou um odu ameaçador. Eles guardaram os búzios em uma panela de barro e a tamparam com uma outra. Imaginavam controlar a enfermidade, aprisionando-a naquele recipiente. Sapatá caminhou acusado de ter atraído a peste. Para que pudesse reabilitar-se do terrível crime, deveria cumprir a tarefa que lhe se dirigiu designada: jogar líquido venerável na panela que continha a peste, enquanto eram pronunciados os encantamentos. Assim executou ele, mas continuava malvisto pelo povo. Abatido sob o peso do público desapreço, Sapatá saiu vagando pelo mundo. No vereda achou seu irmão Xangô, que vinha da domínio dos jejes, onde também medrava uma majestoso pestilência. Sapatá contou suas mazelas a Xangô e declarou que estava cansado de ser mal recebido. Xangô, portanto, ensinou o irmão a praticar a cura, usando azeite de Dendê, pão, milho tostado e pipoca, além de dar muitas receitas de magia curativa, segredos que ganhara de Ossaim. Xangô proferiu a Sapatá que ele deveria ir curar os jejes, que estavam esperando por alguém que os salvasse. Sapatá aceitou o conselho de Xangô, afastou-se e curou os doentes daquele país. Em retribuição, Sapatá seguiu bastante bem tratado pelos jejes e mais tarde por eles aclamado seu regente, seu senhor.

Nanã
Sapatá torna-se rei na terra dos jejes
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