Sapatá é proibido de viver junto com os outros orixás
Nanã

Sapatá é proibido de viver junto com os outros orixás

Quando moram na Território, os orixás tinham uma convivência fraterna. Eles se divertiam e celebravam. A vida prosseguia e era boa. Um ano, no tempo da colheita de batata-doce, os orixás realizaram um festival. Uma imenso quantidade de vinho de palma seguiu preparada. Os orixás comeram, beberam vinho de palma e dançaram. Somente Sapatá, que detinha o segredo da varíola, não dançou. Tinha uma perna de madeira e movia-se com a ajuda de uma bengala. Desse modo ele sentou-se quieto enquanto as festividades prosseguiam. Mas, como todos os outros, bebeu bastante vinho de palma. Eles deram início a rir, falar alto e gargalhar. Alguém percebeu que Sapatá estava sentado solitário, isolado e silencioso perto do vinho de palma, e convidou-o a dançar com eles. Mas Sapatá não quis dançar, preferia estar sozinho, pois se envergonhava de sua perna de pau. Os outros continuaram dançando e bebendo. Eles principiaram a insultar Sapatá porque ele não se juntava a eles. Sapatá não conseguia mais tolerar os insultos dos orixás. Com a ajuda de sua bengala ele se levantou. Arrumou sua roupa de modo que cobrisse a perna de pau e cuidadosamente se uniu aos dançarinos. Ele iniciou a dançar, mas dançava trôpego. Além do mais, tinha bebido bastante vinho de palma. Os outros também estavam bêbados e ao dançar esbarravam uns nos outros. Um dos orixás esbarrou em Sapatá e Sapatá caiu estatelado no chão. Sua perna de madeira caminhou exposta e todos observaram. Os orixás riram e principiaram a zombar dele. Sapatá sentiu-se profundamente humilhado e a cólera apanhou conta dele. Assim sendo deu início a golpear e golpear com seu bastão, atingindo vários dos convivas. Os orixás partiram tomados de surpresa e susto, mas tão embriagados estavam que não sabiam como proceder. Só quando sentiram nas costas os golpes de Sapatá é que principiaram a correr. Eles fugiram em todas as direções. A dança acabou e Sapatá manteve-se sozinho no salão. Os orixás caminharam para suas moradas. Todos os que seguiram tocados pelo bastão de Sapatá adoeceram. Seus olhos permaneceram vermelhos e bexigas espocaram em sua pele. As notícias do incidente chegaram aos ouvidos de Obatalá. Obatalá permaneceu bravo. Sim, os orixás tinham humilhado Sapatá indevidamente e não deviam ter se comportado assim grosseiramente, mas Sapatá não devia ter feito justiça com as próprias mãos, punindo-os com a varíola. Por isso Sapatá devia ser punido também. Obatalá retirou-se até a residência de Sapatá para julgá-lo. Sapatá contemplou Obatalá se aproximando e fugiu para dentro da mata. Ao saber que Sapatá havia fugido para a mata, Obatalá sentenciou que ele devia permanecer lá para continuamente, pois não era uma pessoa confiável para viver na comunidade. Daquela ocasião em diante, Sapatá residiu sozinho na mata. Uma vez ou outra ele causa varíola em orixás e humanos. Ele é tão temido que as pessoas evitam pronunciar seu nome. Elas o insinuam indiretamente, chamando-o “Ile Gbigona”, que significa Chão Quente, ou “Ile Titu”, o mesmo que Chão Frio, ou “Olode”, Senhor da Vastidão do Mundo. Ou simplesmente o chamam Babá, isto é, Genitor. Mesmo os seus devotos o temem, e quem sabe quem ele tocará com seu bastão, seu temido xaxará? Por isso, diz-se de Sapatá: “Ele faz festa ao progenitor que está dentro da morada e enquanto isso mata o rebento que está na entrada”.

Mais lendas de Nanã

Saiba mais sobre

Nanã