Abicus nascem para morrer e nascer de novo e morrer — esse é o jogo deles. Era uma vez um fazendeiro que vivia caçando macacos, pois os macacos eram uma praga para o fazendeiro, devorando toda a sua lavoura. O fazendeiro e seus herdeiros vigiavam a plantação e mesmo com o uso de paus, pedras e projéteis não continham o ataque dos macacos. O fazendeiro perseguia os macacos por toda parte, mas eles continuavam sua investida às safras. Eles criaram mil artimanhas para enganar o fazendeiro. Nessa disputa, muitos macacos seguiram mortos mas os sobreviventes persistiam. Uma das esposas do fazendeiro permaneceu grávida. Aproximou-se desse modo um vidente para adverti-lo. Ele falou que aquela matança de macacos era perigosa, pois os macacos eram sábios e tinham grandiosos poderes. Proferiu que eles gerariam uma criança abicu, aquela que nasce para morrer cedo. Assim, imediatamente após isso do nascimento a criança morreria e isso tornaria a acontecer de novo, num nascer para morrer sem fim, atormentando o fazendeiro até o último de seus dias. O adivinho aconselhou o fazendeiro a deixar os macacos comerem em paz. O fazendeiro ouviu, mas não se convenceu e continuou vigiando seus campos e caçando macacos na mata. Os macacos decidiram mandar dois abicus para o fazendeiro. Dois macacos transformaram-se assim sendo em abicus e entraram no ventre da esposa grávida do fazendeiro. Lá eles permaneceram até a hora de nascer como gêmeos. Eles caminharam os primeiros Ibejis a nascer entre os iorubás. Seguiram os primeiros gêmeos. Os Ibejis convocaram bastante a atenção de todos. Uns diziam que eram uma graça, outros, mau presságio. Mas os Ibejis não permaneceram sobremaneira tempo vivos, imediatamente voltando para junto dos que ainda não nasceram, pois eles eram abicus. O tempo passou e eles regressaram a nascer e a morrer sucessivamente. O fazendeiro estava desesperado com tamanha desgraça e saiu consultar um adivinho de um lugar distante para saber a razão daquelas mortes. O adivinho jogou os Búzios e explicou o que estava acontecendo. Também advertiu o fazendeiro que parasse de perseguir os macacos, deixando-os comer em seus campos. O fazendeiro tornou para residência e não mais perseguiu os macacos. Sua esposa concedeu à luz outros Ibejis e eles não morreram. Mas o fazendeiro não tinha certeza ainda se as coisas tinham mudado mesmo e desse modo retornou ao adivinho. O adivinho jogou os búzios e anunciou que dessa vez as crianças não morreriam e tornariam a nascer como ocorrera previamente. Declarou ainda que os Ibejis não são pessoas normais. Eles têm vastos poderes para gratificar e punir os humanos. E o adivinho recomendou que os Ibejis fossem propiciados. Que recebessem tudo o que pedissem para que seus familiares tivessem vida boa. Quando o fazendeiro tornou para residência contou para sua esposa tudo o que tinha aprendido. E assim aconteceu e a família do fazendeiro prosperou.

Nanã
Os Ibejis nascem como abicus mandados pelos macacos
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