Fazia bastante tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orunmilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orunmilá o governo do mundo. Pensou em entregar a Orunmilá o governo dos segredos, os segredos que governam o mundo e a vida dos indivíduos. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo. Orunmilá, apesar da seriedade de seus atos, era imensamente jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orunmilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Orunmilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá, assim sendo, interrogou a Orunmilá por qual razão a língua era a melhor comida que havia. Orunmilá contestou: “Com a língua se concede Axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os seres humanos chegam à vitória”. Após algum tempo, Obatalá implorou a Orunmilá para preparar a pior comida que houvesse. Orunmilá lhe preparou a mesma iguaria. Preparou língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe interrogou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orunmilá replicou: “Porque com a língua os indivíduos se vendem e se perdem. Com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas”. Obatalá permaneceu maravilhado com a inteligência e precocidade de Orunmilá. Entregou a Orunmilá nesse momento o governo dos segredos. Orunmilá caminhou nomeado Babalaô, palavra que na língua dos orixás quer dizer genitor do segredo. Orunmilá caminhou o primeiro babalaô.

Exu
Orunmilá recebe de Obatalá o cargo de babalaô
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