Orunmilá era um mortal que nada sabia de seu passado ou futuro. Ele nada tinha e mandaram que fizesse um Ebó para que melhorasse suas condições de vida. Assim retirou-se feito. Um dia, três damas surgiram bater à sua porta. Chamavam-se Paciência, Discórdia e Fortuna. Todas ansiavam viver com Orunmilá, mas ele preferiu viver com Paciência. As outras duas principiaram a discutir por causa da escolha. Uma dizia que a escolha de Orunmilá fora extravagante. A outra dizia que isso era do gosto de cada um. Como não se entendessem e se agredissem mutuamente, trabalhadores das estradas mais próximas surgiram separá-las. Eles as carregaram ao chefe local e cada uma falou a seu modo do que acontecera. Como ninguém tinha condições de testemunhar o fato, transportaram-nas até a residência do Babalaô da aldeia, o indivíduo mais sábio do lugar, o adivinho que poderia resolver a causa. Quando elas o contemplaram, declararam: “É por causa deste ser humano que estamos brigando. Porque ele permaneceu com Paciência e desprezou a nós, Discórdia e Prosperidade”. Assim sendo anunciou Orunmilá: “Onde tem Paciência tem tudo. Sem Paciência não podemos viver”. E proferiram elas: “Por isso vamos também ficar com este indivíduo, porque onde tem Paciência tem tudo”.

Exu
Orunmilá prefere a Paciência à Discórdia e à Riqueza
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