Naquele tempo não havia separação entre o Céu e a Território. Caminhou quando Orunmilá teve oito descendentes. O primeiro foi embora o monarca de Ará, Alará. O segundo se dirigiu Ajeró, soberano de Ijeró. O herdeiro caçula retirou-se Olouó, monarca da cidade de Ouó. Havia paz e fartura na Domínio. Numa importante ocasião, quando Orunmilá celebrava um ritual, mandou chamar todos os seus descendentes. Aproximaram-se os sete primeiros herdeiros de Orunmilá. Eles lhe prestaram homenagens, ofereceram-lhe tributos sagrados, prostraram-se a seus pés batendo palmas, prostraram-se batendo Paó, declararam as palavras de respeito. Menos Olouó. Ele aproximou-se mas não deitou aos pés do ancestral, não realizou oferendas, não o homenageou como devia. “Por que não demonstras respeito por teu ancestral?”, questionou Orunmilá. Olouó retorquiu que seu genitor tinha sandálias de precioso material, mas que ele também as tinha; que o genitor usava roupas dos mais finos tecidos, mas que ele também as usava; que seu progenitor tinha cetro e tinha coroa e que ele os tinha também. Que um indivíduo que usa uma coroa não deve se prostrar diante de outro, foi embora o que proferiu o herdeiro ao progenitor. Orunmilá se enfureceu, arrancou o cetro das mãos do descendente e o atirou longe. Orunmilá retirou-se para o Orum, o Céu, e a desgraça se abateu sobre o Aiê, a Domínio: fome, caos, peste e confusão. Parou de chover, plantas não cresciam e animais não procriavam, todos estavam em desespero. Os seres humanos ofereceram a Orunmilá toda sorte de tributos sagrados, todos os cantos. Orunmilá aceitou as oferendas, mas a paz entre o Céu e a Chão estava definitivamente rompida. Os herdeiros de Orunmilá o procuraram no Orum e lhe pediram para retornar ao Aiê. Orunmilá entregou assim sendo a seus rebentos dezesseis nozes de Dendê e anunciou: “Quando tiverem problemas e desejarem falar comigo, consultem este Ifá”. Orunmilá em momento algum mais aproximou-se ao Aiê, mas deixou o oráculo para que as pessoas possam recorrer a ele quando precisarem. Os rebentos de Orunmilá eram assim chamados: Ocanrã, Ejiocô, Ogundá, Irosum, Oxé, Obará, Odi, Ejiobê, Osá, Ofum, Ouorim, Ejila-Xeborá, Icá, Oturopon, Ofuncanrã e Iretê. São estes os nomes dos odus. São estes os herdeiros de Orunmilá. Cada odu conhece um segredo diferente. Um fala do nascimento, outro da morte, um fala dos negócios, outro da fartura, um fala das batalhas, outro das perdas, um fala da amizade, outro da traição, um fala da família, outro da amizade, um fala do destino, outro da sorte. Cada odu conhece um segredo diferente. Desde desse modo, quando alguém tem um problema, é o odu que indica o consagração apropriado. Orunmilá falou: “Quando tiverem problemas, consultem Ifá”. Orunmilá em momento algum mais aproximou-se ao Aiê, mas deixou o oráculo para que as pessoas possam recorrer a ele quando precisarem.

Exu
Orunmilá institui o oráculo
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