Orunmilá desposa a filha de Olocum
Exu

Orunmilá desposa a filha de Olocum

Orunmilá desejava casar-se com Torô, a princesa do braço de mar, uma das filhas de Olocum. Torô era bastante bonita e sobremaneira cortejada. Todos os velhos seres sagrados também a almejavam por esposa. Para conseguir seu intento, consultou os babalaôs e eles o mandaram fazer Ebó. Deveria oferecer dois galos, uma galinha, um preá, um peixe e dois sacos de viagem, além de doze sacos de Búzios para pagar os adivinhos. Ele concordou e realizou a oferenda, levando consigo os dois sacos vazios, conforme fora instruído. Quando Orunmilá regressou para residência, localizou Exu. Exu piscou um olho em sua direção e ele imediatamente transformou-se num indivíduo sobremaneira bonito. Orunmilá foi embora para a habitação de Olocum. Quando a princesa do braço de mar avistou Orunmilá, de pronto por ele se apaixonou, pois sua beleza era irresistível. Torô aceitou com prazer casar-se com o formoso Orunmilá. Mas Olocum estava preocupada. Sua filha tinha rejeitado proposta de casamento de cada um dos quatrocentos e um imolés, as imensos divindades. E as velhas divindades estavam furiosas com o amor de Torô pelo Babalaô. Orunmilá anunciou a Olocum que fugiria com a princesa e que ninguém os pegaria. Para evitar que Orunmilá fugisse com a princesa, os imolés cavaram um fosso profundo à sua direita. E à sua esquerda realizaram aparecer um abismo sem fim. Na frente eles efetuaram um buraco fundo como a altura do céu. Exu, que a tudo assistia, pegou as aves do consagração que Orunmilá fizera. Jogou um galo no fosso da direita e ele se fechou. Jogou o outro galo no abismo da esquerda e ele se fechou. Jogou a galinha no buraco da fundura do céu e ele se fechou. Orunmilá fugiu levando a princesa do braço de mar. Mas eles ainda tinham que chegar à Solo. Os enciumados imolés tinham avisado os barqueiros que não levassem para a chão um pessoa acompanhado de uma pessoa. Mas Orunmilá apanhou um dos dois sacos do tributo venerável e cobriu a cabeça. No outro escondeu a sua amada. Pôs nas costas o saco com a pessoa dentro e quando chegou à barca ninguém desconfiou. Só quando chegou à cidade de Ifé tirou a princesa do saco e com ela se casou. Os imolés mantiveram-se bastante irritados com o desfecho, mas nada mais podiam fazer. O babalaô rejubilava-se pela nova esposa.

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