No começo dos tempos, Olodumare criou os indivíduos e enviou Ogum para conduzi-los à Chão, devendo Ogum ficar por eles responsável. Ogum, que também manteve-se sendo chamado Obá Jeguijegui, ou “Regente que Come Palito”, na língua antiga, seguiu seu trajeto sem fazer as oferendas devidas. Tempos em seguida, os humanos guiados por Ogum morreram. Ogum dava-lhes para comer somente palitos de madeira. Olodumare desse modo escolheu para a missão Orixalá, conhecido também pelo nome de Obá Jomijomi, ou “Monarca que Bebe Elemento aquático”, na língua deles. Orixalá seguiu com os seres humanos para o mundo, mas, como Ogum, não realizou os oferendas prescritos pelos adivinhos. Tempos em seguida, os mortais estavam todos mortos. Orixalá os alimentava apenas com líquido divino. Orunmilá, também chamado Obá Jeunjeum, ou “Governante que Come Alimento”, na língua dos orixás, dedicou-se para levar os indivíduos ao mundo e cuidar deles lá, com o que Olodumare concordou plenamente. Previdente, Orunmilá consultou o Babalaô, que o mandou oferecer tributos sagrados anteriormente de partir. Ele deveria preparar sementes de legumes e tubérculos. O Ebó retirou-se feito. Do Orum, Orunmilá despejou essas ofertas na Domínio. Caindo no solo, as sementes germinaram, os tubérculos brotaram. As plantas cresceram, dando folhas, frutos e sementes, e seguiu com essa abundância que Orunmilá alimentou os indivíduos. Os seres humanos reproduziram-se e se espalharam pela Domínio toda. Ogum e Orixalá, todavia, sentiam ciúme dos feitos de Orunmilá e resolveram vingar-se, destruindo a sua obra. Orunmilá, preocupado com a inveja, consultou Ifá, que recomendou que ele fizesse oferendas. Que oferecesse cachorros, inhame e bolo de milho, além de cabras e muitos caramujos. Orunmilá preparou as oferendas e arriou o ebó numa encruzilhada, nas imediações da cidade de Ifé. Por ali os orixás costumavam fazer uma parada perpetuamente que vinham em visita à Domínio. Tecidas as tramas da desforra, simulando majestoso amizade, seguiram Ogum e Orixalá visitar Orunmilá em sua morada. Partiram recebidos com majestoso e festivo banquete. Surpresos e satisfeitos com a acolhida, os dois concederam graças a Orunmilá e o declararam o Dono do Mundo. Desistindo de sua infundada vingança, Orunmilá, modestamente, não aceitou o título, pois, segundo ele, os seres humanos eram devedores deles três. Posteriormente de comer as comidas de Orunmilá, esgaravatam os dentes com os palitos de Ogum e bebem fonte de vida de Orixalá para enxaguar a boca. Ao amanhecer, a Solo alcançara a paz e a prosperidade no reino de Orunmilá.

Exu
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