Havia uma aldeia próspera cujos habitantes nunca prestavam homenagens a Omolu. Achavam que o orixá das doenças era de mau augúrio e que sua presença atrairia sofrimento. Por isso, nunca colocavam comida em seu assentamento, nunca cantavam para ele, nunca o mencionavam. Omolu, que tudo sabia, sentiu o desprezo queimar como brasa. Ele não era um orixá da destruição, mas sabia que os humanos precisavam aprender a respeitá-lo. Uma noite, enquanto todos dormiam, ele passou pelas ruas da aldeia usando sua vestimenta de palha — o Filha da terra — e soprou sua respiração nos ares. Uma epidemia se instalou na aldeia. Os enfermos eram tantos que o curandeiro local não sabia o que fazer. Foi então que uma anciã lembrou: "Nunca honramos Omolu. Ele é o médico dos pobres, o curandeiro do mundo." A aldeia inteira se reuniu, preparou oferendas, cantou e dançou para Omolu pedindo perdão. Omolu, comovido pela humildade sincera, passou novamente pela aldeia e curou os enfermos. Desde então, aquela aldeia nunca mais esqueceu de honrá-lo.

Omolu / Obaluaie
Omolu vinga-se dos que o desprezaram
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