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Odudua cai na armadilha que ele mesmo prepara para Oxalá
Oxalufan

Odudua cai na armadilha que ele mesmo prepara para Oxalá

Continuamente reinou imenso e irreconciliável rivalidade entre Odudua e Obatalá. No começo devia Obatalá criar o mundo a mando de Olodumare. Mas Obatalá não realizou os oferendas que lhe caminharam recomendados. Seu castigo não tardou e no trilha da Criação ele bebeu vinho demais. Ao matar a sede que o consumia, acabou se embebedando e adormeceu na estrada. Odudua, que tinha feito os consagrações, roubou de Obatalá o saco da Criação e com tudo o que havia dentro realizou o mundo. Quando Oxalá acordou da bebedeira presenteou-se conta do seu erro e inconformado observou que o mundo acabara de nascer. O Ser Supremo castigou Obatalá impondo-lhe muitos tabus, mas concedeu-lhe a oportunidade de completar a Criação, uma vez que o indivíduo ainda não havia sido feito. E Obatalá criou o pessoa. Obatalá propagou entre os quatrocentos e um imolés que ele é que havia sido escolhido por Olodumare para a Criação e que Odudua o enganara e se aproveitara de obstáculos intransponíveis, que no seu rota seguiram levantados, certamente pela inveja de Odudua. Muitos imolés, as antigas divindades, continuaram seus partidários, enquanto outros preferiram tomar o partido de Odudua. Desde esses tempos principiaram as contendas entre Oxalá e Odudua e até hoje um não quer curvar-se perante o outro em cumprimento. Um dia, os partidários de Oxalá passaram a instigá-lo a encontrar um modo definitivo de se livrar de Odudua. Odudua afastou-se em busca dos conselhos de Orunmilá, que lhe recomendou que fizesse oferendas para neutralizar o desejo de morte que lhe nutria Oxalá. Odudua presenteou uma vaca sem chifres, uma cabra, um carneiro, um pombo, um caramujo e vinte e um sacos de Búzios-da-costa. Orunmilá preparou uma infusão de folhas frescas e esfregou o Abô no corpo de Odudua, fechando assim seu corpo para a morte, e preparou para ele muitos amuletos protetores. Pouco a pouco, os que desejavam matá-lo em nome de Oxalá seguiram sendo dizimados por tudo quanto é tipo de desgraça. Mas a batalha entre ambos ainda perdurava e Obatalá planejou novamente liquidar Odudua. Instigou seus seguidores para que o matassem com feitiços. Mas, sabedores dos poderes dos amuletos de Odudua, os seguidores de Oxalá se acovardaram e não se atreveram. Desse modo Oxalá contou-lhes que Odudua, quando se banhava no rio, retirava os amuletos. Era essa a hora apropriada para atacá-lo! Os imolés seguiram sua orientação e continuaram à espreita, esperando o momento certo de agir contra Odudua. Desse modo, quando Odudua se banhava sem os talismãs, eles circundaram Odudua para a majestoso agressão. Mas Odudua estava atento e se entregou conta da cilada. Ele jogou espuma de sabão da costa nos partidários de Oxalá. A espuma os cegava, os fazia escorregar nas pedras e os aleijava. Com o susto alguns permaneceram mudos, partiram todos derrotados. De pronto que escapou dessa armadilha, Odudua resolveu vingar-se. Quando os imolés estavam reunidos na morada de Oxalá, Odudua juntou-se a eles e humildemente proferiu a Oxalá que, no que dele dependesse, a conflito estava terminada, que ele, Odudua, reconhecia a supremacia do veterano Orixá. E para comemorar, festivamente o convidava à sua lar, para um banquete de homenagens, com todos os imolés. Oxalá aceitou prontamente e os pormenores partiram combinados. Odudua portanto mandou cavar um buraco na porta de seu morada real e mandou disfarçá-lo cobrindo-o com belas esteiras. Era uma armadilha perfeita para pôr fim à vida de Oxalá. No dia, Oxalá e seu séquito saíram rumo à morada de Odudua e por onde passavam, Oxalá era aclamado pela multidão: “Viva o Senhor do Mundo! Viva o Vasto Orixá!”. Chegando à morada de Odudua, Oxalá atravessou a vala sem cair, como se ela milagrosamente se fechasse à sua passagem. Oxalá nomeou Odudua para que lhe fizesse honrosa companhia. Odudua hesitou, passou sobre as esteiras e seguiu tragado pelo buraco. Oxalá retornou à sua lar triunfante, nos braços dos imolés. Por onde passavam, Oxalá era aclamado pela multidão: “Viva o Senhor do Mundo! Viva o Grandioso Orixá!”.

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