Quando Orunmilá aproximou-se ao mundo, teve de escolher sua cabeça, seu Ori, mas não tomou conhecimento como fazê-lo bem e se sentia infeliz. Portanto, quando chegou a vez de seu rebento Ofuapê nascer, Orunmilá continuou preocupado com a escolha da cabeça e seguiu até um Babalaô para saber como proceder. Consultado o oráculo, caminhou dito que Ofuapê seria bem-sucedido na Domínio, mas, no tempo anterior que seu herdeiro deixasse o Orum, teria que ser oferecido um consagração de mil Búzios. Ofuapê tinha dois amigos, Oriseecu, rebento de Ogum, e Orilemerê, rebento de Ijá. Ambos vinham com ele à Território. Oriseecu e Orilemerê cansaram de esperar por Ofuapê e resolveram seguir sem ele para a morada de Ajalá, onde iam escolher a cabeça previamente de nascerem. Chegando lá, não depararam-se com Ajalá. Ajalá estava sumido por causa dos credores. Ele bebia demais e fazia dívidas que não conseguia pagar. Eternamente havia credores na porta de Ajalá. Por isso os amigos não depararam-se com Ajalá em residência, mas observaram lá várias e belas cabeças sobre prateleiras, prontas para serem usadas, e apanharam para si duas das que mais lhes agradaram. Oriseecu e Orilemerê surgiram para o mundo. Ofuapê, que chegara imediatamente após a saída dos dois, localizou na habitação de Ajalá uma velha sentada no chão. Era uma credora. Ela esperava pelo pagamento de mil búzios que Ajalá lhe devia pela compra de cerveja de milho. Ofuapê lhe entregou os búzios e a velha caminhou-se embora. Ajalá, que se escondera e tudo observara, apareceu todo contente pela ação de Ofuapê. Ele conduziu Ofuapê para dentro e lhe mostrou as cabeças que tanto encantavam os seres humanos, mas o advertiu de que apenas a beleza da cabeça não garantia uma vida plena de sucessos. Por não saberem escolher suas cabeças, os seres humanos só atraíam infortúnio para si. Assim, Ofuapê escolheu a cabeça adequada e aproximou-se para a Chão, onde tornou-se um opulento e bem-sucedido indivíduo. Oriseecu e Orilemerê continuaram intrigados com o sucesso de Ofuapê. Suas cabeças eram bonitas mas não eram boas e eles moram em dificuldade, enquanto Ofuapê ficara opulento e realizado. Eles desse modo se perguntavam: “Não saiu no mesmo lugar que pegamos nossas cabeças? Não sei onde meu amigo pegou a sua cabeça. Eu iria lá buscar a minha também, se soubesse onde é. Seria o mesmo lugar onde pegamos a nossa cabeça? Mas o destino dele é tão diferente do nosso! Se soubesse onde Ofuapê escolheu a sua cabeça, eu escolheria uma igualzinha para mim”.

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Ajalá faz as cabeças de três amigos
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