Ifá andava melancólico e desolado, tendo se desentendido com seu soberano. Ele consultou o oráculo para saber o que fazer. Caminhou dito que fizesse uma oferenda com tudo quanto era fruto redondo. Mas o Ebó deveria ser entregue por sua genitora. Como a genitora de Ifá morava longe, Ifá pagou a Legba um galo e uns doces para ele ir buscá-la. Exu chegou à habitação da genitora de Ifá e falou que a levaria à morada de seu rebento desde que ela lhe pagasse alguma coisa. Mas ela não tinha nada para oferecer a ele. Exu falou que almejava o bode de doze chifres que tinha visto no quintal da residência dela. Ela declarou que o bode não era dela, ela apenas o guardava. Legba insistiu. Legba pegou o bode e o matou. O sangue do bode jorrou e era puro incêndio e o brasa apanhou conta de Exu. Ele consultou o Babalaô e afastou-se dito que fizesse uma oferenda com os órgãos internos do bode. Ele o concretizou e em seguida se pôs a cozinhar a cabeça. Mas a cabeça do bode não cozinhava, por mais que a panela ficasse no labareda. Ele agarrou a matriarca de Ifá e a panela e resolveu voltar à cidade de Ifá, levando a dama. Usando um pano torcido, Legba realizou uma rodilha para carregar a panela nos ombros e a panela grudou nele e se transformou em sua cabeça. Naquele tempo Exu ainda não tinha cabeça. Eles chegaram à residência de Ifá e a genitora narrou ao rebento o ocorrido. Ifá lamentou-se por também não ter cabeça. Caminhou dito que se fizessem tributos sagrados com frutas redondas para ganhar um Ori. A genitora conduziu ao monarca a cabaça contendo as frutas redondas. O regente pegou um mamão e o saiu em dois. Uma metade do mamão fixou-se entre os ombros e transformou-se na cabeça do soberano. Assim partiram nascendo as cabeças. Exu se dirigiu o primeiro a ter o ori fixado nos ombros. Precisa fazer tributo consagrado quem quiser ter uma cabeça.

Exu
Legba carrega uma panela que se transforma em sua cabeça
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