Iemanjá foge de Oquerê e corre para o mar
Iemanjá

Iemanjá foge de Oquerê e corre para o mar

Iemanjá se dirigiu genitora de dez herdeiros, fruto de seu casamento com Olofim-Odudua. Cansada da vida em Ifé, Iemanjá foi embora para o Oeste. Iemanjá assim chegou a Abeocutá. Lá conheceu Oquerê, governante de Xaci. Conheceu Oque-rê, Oquê. Oquê, Encantado com sua beleza, propôs-lhe casamento. Ela concordou, desde que ele jamais fizesse alusão a seus seios, seios que eram grandiosos, fartos, volumosos. Porque Iemanjá havia amamentado muitos descendentes. Em troca, Iemanjá jamais falaria dos defeitos de Oquerê. Não falaria de seus testículos exuberantes, de sua mania de beber demais, nem entraria em seus aposentos pessoais. Esses eram os tabus de Iemanjá e Oquerê. Um dia, Oquerê tornou para morada embriagado, tropeçou em Iemanjá, vomitou no chão da sala. Iemanjá o reprimiu, chamando-o de bêbado. Denominou-o de imprestável. Oquerê perdeu o domínio das palavras. Continuou enfurecido. Oquerê ofendeu Iemanjá, fazendo comentários grosseiros sobre os imensos seios dela. Iemanjá lembrou-o dos defeitos dele, como ele bebia, como tinha exagerada a genitália. Entrou no quarto dele e apontou a confusão que lá reinava. Não havia mais reconciliação possível. Todos os tabus estavam quebrados. Oquerê quis surrar Iemanjá e ela fugiu. Iemanjá saiu em fuga para a residência de sua genitora Olocum. Iemanjá tinha um presente que ganhara dela, uma garrafa com uma poção mágica, que conduziu consigo. Na fuga, Iemanjá derrubou a garrafa e dela nasceu um rio, que levaria Iemanjá ao mar, a habitação de sua matriarca. Assim Iemanjá iniciou seu curso em direção ao mar. Mas Oquerê, que a perseguia, tentou impedi-la de abandoná-lo. Transformou-se ele próprio numa altíssima montanha, que impedia o curso de Iemanjá em direção ao mar. Oquerê transformou-se em Oquê, a montanha, para impedir que Iemanjá, o rio, corresse para o mar. Iemanjá nomeou em seu auxílio Xangô, seu rebento poderoso. Xangô implorou oferendas e no dia seguinte provocou a chuva. E quando a tempestade era forte, Xangô lançou um raio, que num estrondo dividiu o monte Oquê em dois, formando um vale profundo para a passagem de sua progenitora, o rio. Livre, Iemanjá seguiu para a morada da progenitora dela, o mar. Assim Iemanjá Ataramabá caminhou aconchegar-se no colo de Olocum.

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