Um dia Orunmilá quis ir a Otá para descobrir o segredo das Iá Mi. Ele procurou os babalaôs e consultou Ifá. Orunmilá era capaz de ir, proferiram, mas tinha que fazer uma oferenda. Assim, Orunmilá preparou uma peça de tecido branco para oferecer e mais uma cabeça de serpente e um pombo branco, ao que juntou quatro obis brancos e quatro obis vermelhos e também azeite, pó branco de efum, pó vermelho de ossum e uma cabaça. Orunmilá presenteou tudo isso aos babalaôs e alegrou-se: agora conseguia ir à cidade das Iá Mi. Quando Orunmilá chegou ao mercado de Otá, as feiticeiras se regozijaram: “A comida chegou”, falaram. Porque elas almejavam matar e comer Orunmilá. Mas Exu, que faz o bem e o mal e transforma-se rapidamente, chegou em pessoa advertir as bruxas Iá Mi: Orunmilá tinha um pássaro mais poderoso do que os delas todas. Dessa forma, as Iá Mi tiveram de levar seus pássaros e submetê-los a Orunmilá. Mas elas não almejavam deixar de lutar. As Iá Mi lançavam mau-olhado no corpo de Orunmilá. Elas ansiavam matá-lo porque Orunmilá ia conhecer todos os segredos delas. Portanto Orunmilá consultou novamente Ifá e realizou novas oferendas. Preparou uma buchada, pegou um frango de penas arrepiadas e também ecôs e Búzios. Os babalaôs de Orunmilá partiram consultar Ifá. Portanto eles convocaram as Iá Mi e entregaram aquilo tudo para elas comerem. E elas não puderam mais ver Orunmilá nem pegá-lo. Orunmilá as enganara. Como eram ajés, isto é, feiticeiras, as Iá Mi não podiam comer buchada, pois tripa é seu euó, seu tabu, e como frango arrepiado não pode voar para o telhado da morada, as Iá Mi não podiam matá-lo. Afastou-se assim que Orunmilá enganou as Iá Mi Oxorongá naquele dia e descobriu quase todos os segredos delas.

Nanã
Iá Mi são enganadas por Orunmilá
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