Era uma vez um marceneiro bastante competente no ofício, mas que não tinha jeito de arranjar trabalho. O artesão teve um sonho com um negrinho que proferiu que ele ia ter sobremaneira serviço e ia ganhar um bom dinheiro. O negrinho do sonho, com seu barrete vermelho, declarou ao marceneiro que após completar o primeiro serviço ele tinha que fazer um Ebó para Exu. Devia providenciar um galo preto, sete tocos de lenha, fósforos e uma vela, um pouco de azeite de Dendê, sete ecôs, fumo picado e muitos Búzios. Que fosse para o mato fechado, acendesse a vela, passasse o galo no corpo, fizesse a fogueira com a lenha e o fósforo. Que matasse o galo e o cozinhasse com os temperos estipulados e oferecesse os búzios. Era assim o ebó que Exu almejava. Se ele não fizesse o ebó, ameaçou, Exu tomaria o seu nariz. No sonho, o artesão concordou com tudo. Quando acordou, entretanto, não entregou a menor importância ao que sonhara. No mesmo dia apareceu um grandioso serviço, que o marceneiro realizou com capricho e rapidez, e ganhou um bom dinheiro. E após isso outro e mais outro e assim caminhou ele ficando bem de vida. Mas para Exu, nada. Ele jamais se interessou em cumprir a Obrigação. Um dia, trabalhava sob o sol, alisando as tábuas, quando o negrinho do sonho apareceu e anunciou: “Olha, não vais cortar o nariz com esse enxó?”. Ele contestou: “Como é que eu posso cortar o nariz com este enxó?”, e concretizou um gesto aproximando o instrumento do rosto. E sem querer decepou o seu nariz com a lâmina do enxó. Aí o moleque proferiu: “Te lembras da promessa do ebó? Exu presenteou-te trabalho e dinheiro. Não deste nada para Exu, portanto vim buscar o teu nariz”. Pegou o nariz que caíra no chão, concedeu as costas para o marceneiro que sangrava horrivelmente e seguiu-se embora, levando o nariz do artesão.

Exu
Exu corta o nariz do artesão que não fez o ebó prometido
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