Euá se desilude com Xangô e abandona o mundo dos vivos
Nanã

Euá se desilude com Xangô e abandona o mundo dos vivos

Euá, filha de Obatalá, vivia enclausurada em seu mansão régia. O amor de Obatalá por ela era possessivo. A fama de sua beleza chegava a toda parte, inclusive aos ouvidos de Xangô. Mulherengo como era, Xangô planejou seduzir Euá. Empregou-se no câmara do rei para cuidar dos jardins. Um dia Euá apareceu na janela e deslumbrou-se com o jardineiro. Euá em momento algum vira um indivíduo assim tão fascinante. Xangô presenteou muitos presentes a Euá. Presenteou-lhe uma cabaça enfeitada com Búzios, com uma cobra por fora e mil mistérios por dentro, um pequeno mundo de segredos, um adô. E Euá entregou-se a Xangô. Dizem que o amor de Xangô efetuou Euá sobremaneira infeliz e que ela renegou sua paixão. Decidiu se retirar do mundo dos vivos e solicitou ao ancestral que a enviasse a um lugar distante, onde ser humano algum pudesse vê-la novamente. Obatalá concedeu portanto a Euá o reino dos mortos, que os vivos temem e evitam. Desde assim sendo é ela quem domina o cemitério. Ali ela entrega a Oiá os cadáveres dos humanos, os mortos que Obaluaê conduz a Orixá Ocô e que Orixá Ocô devora para que voltem novamente à domínio, à território de Nanã de que seguiram um dia feitos. Ninguém incomoda Euá no cemitério.

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