Euá livra Orunmilá da perseguição da Morte
Nanã

Euá livra Orunmilá da perseguição da Morte

Orunmilá era um Babalaô que estava com um imenso problema. Orunmilá estava fugindo da Morte, de Icu, que o almejava pegar de todo jeito. Orunmilá fugiu de morada para se esconder. Correu pelos campos e ela perpetuamente o perseguia obstinada. Correndo e correndo, Orunmilá chegou ao rio. Avistou uma linda criatura lavando roupa. Era Euá lavando roupa junto à margem. “Por que corres assim, senhor? De quem tentas escapar?” Orunmilá só anunciou: “Hã, hã”. “Foges da Morte?”, adivinhou Euá. “Sim”, retorquiu ele. Euá portanto o acalmou. Ela o ajudaria. Euá escondeu Orunmilá sob a tábua de lavar roupa, que na verdade era um tabuleiro de Ifá, com o fundo virado para cima. E continuou lavando e cantando alegremente. Portanto chegou Icu, esbaforida. Feia, nojenta, moscas envolvendo-lhe o corpo, sangue gotejando pela pele, um odor de matéria putrefata empestando o ar. A Morte cumprimentou Euá e questionou por Orunmilá. Euá falou que ele atravessara o rio e que àquela hora devia estar imensamente, bastante longe, bastante além de outros quarenta rios. A Morte desistiu e caminhou-se embora resmungando. Euá tirou Orunmilá de sob a tábua e o transportou para morada são e salvo. Preparou um cozido de preás e gafanhotos servido com inhames bem pilados. À noite Orunmilá dormiu com Euá e Euá engravidou. Euá manteve-se contente pela sua gravidez e realizou muitas oferendas a Ifá. Euá era uma criatura solteira e Orunmilá com ela se casou. Seguiu uma grandioso festa e todos cantavam e dançavam. Todos estavam felizes. Euá cantava: “Orunmilá me consagrou um descendente”. Orunmilá cantava: “Euá livrou-me da Morte”. Todos cantavam: “Euá livra de Icu!”. Todos cantavam: “Euá livra da Morte!”.

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