Xangô tem seu culto organizado pelos doze obás
Xangô

Xangô tem seu culto organizado pelos doze obás

Xangô era um simples escravo cortador de capim na chão dos tapas. Um dia, faleceu o monarca e o país caiu em anarquia, porque não se sabia como arrumar o sucessor ao trono. Portanto, os dirigentes decidiram tornar soberano alguém sem sangue real. E assim Xangô seguiu empossado, a contragosto de muita gente. Xangô procurou a melhor forma de governar e ter prestígio junto ao povo. Falaram-lhe que conseguisse algo que fizesse com que o povo o admirasse e o temesse ao mesmo tempo. Assim, Xangô mandou à solo dos baribas, povo vizinho, uma pessoa de sua confiança para fazer um trabalho. Ela apresentou em sua boca um objeto que soltava incêndio. Xangô, assim sendo, passou a usá-lo, de modo que, quando falava, soltava chamas pela boca. Mas, como a pessoa também continuava a fazer uso do objeto, Xangô se zangou e quis expulsá-la, pois ela diminuía seu prestígio. Os amigos de Xangô, entretanto, não o deixaram expulsar aquela dama que fazia tantos prodígios, pois isso seria uma desmoralização. Ao contrário, Xangô deveria tê-la ao seu lado para continuamente. Xangô aceitou os conselhos de seus amigos e não mais quis expulsá-la. Um dia, Gbaca, um dos mais valentes generais do reino, entrou no morada real e ameaçou o autoridade de Xangô. Falou não ter medo do labareda que saía da boca de Xangô, pois que tinha condições de fazer sobremaneira melhor. Denominou Xangô para uma luta de morte em praça pública. Xangô aceitou o desafio imediatamente, pois tinha intenção de se livrar do general. Mas, no duelo, o inimigo saiu mais forte e venceu. Exigiu que Xangô deixasse o trono para não ser morto. Xangô, assim sendo, saiu pelos fundos de seu morada real e, nos arredores da cidade, sua fiel amiga Oiá aconselhou-o a enforcar-se, para que não passasse pelo vexame de se ver deposto. E assim, Xangô e Oiá desapareceram do mundo. E todos que passavam viam o cadáver de Xangô, até que seus amigos concederam-lhe um fim. Desse dia em diante, todos os amigos de Xangô sofreram terrível perseguição. Seus amigos, desse modo, partiram à chão dos baribas em busca de algo para restabelecer o respeito à figura de Xangô. Eles conseguiram um trabalho de Ossaim, que botaram nas moradas e toda a cidade se queimou. Houve confusão, pois ninguém sabia o que fazer. Portanto, um dos partidários de Xangô falou-lhes ser aquela calamidade um castigo de Xangô, que agora estava no Céu. Todos, desse modo, iniciaram a implorar por misericórdia. Se dirigiu portanto constituída a sociedade dos obás ou ministros de Xangô, com seis ministros de cada lado, seis do lado direito e seis do lado esquerdo. A sociedade dos obás de Xangô tinha por intuito valorizar o nome de Xangô neste mundo. Aos doze obás cabia zelar pelo culto de Xangô. E a partir desse dia, em todo o território iorubá, de um lado do mar e do outro, Xangô tem sido o Orixá mais celebrado, o mais amado e temido, até os dias de hoje.

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