Xangô incendeia sua cidade acidentalmente
Xangô

Xangô incendeia sua cidade acidentalmente

Xangô governava com rigor a cidade de Oió e redondezas. Era chamado de Jacutá, o Atirador de Pedra. Xangô era sobremaneira prestigiado em seu reino e em reinos vizinhos, mas desejava algo mais para instilar medo nos corações dos mortais. Para isso convocou os maiores feiticeiros de Oió e lhes rogou que inventassem novas fórmulas para aumentar seu energia divina. Xangô não permaneceu satisfeito com o trabalho dos feiticeiros e implorou ajuda a Exu. Exu aceitou a tarefa, rogou uma cabra como oferenda e ordenou que dentro de sete dias Oiá fosse buscar o preparado. Quando chegou o dia combinado, lá se dirigiu Oiá à residência de Exu. Lá chegando, ela saudou Exu e proferiu que o consagração estava a trajeto. O preparado estava embrulhado numa folha. Oiá pegou o pacote e afastou-se. No rota, Oiá parou para descansar. Não contendo a crescente curiosidade, desembrulhou o pacote para ver o que tinha dentro. Não havia nada além de um pó vermelho e ela pôs um pouquinho na boca para experimentar. Não era bom nem ruim; tinha um gosto diferente. Oiá fechou novamente o pacote e prosseguiu. Chegou a Oió e consagrou o remédio a Xangô, que indagou: “Que instruções Exu te concedeu? Como o remédio deve ser usado?”. Quando ela iniciou a falar, saiu chamas de sua boca. Xangô entendeu que Oiá tinha provado o remédio. Continuou irado e tentou bater em Oiá, mas ela fugiu de habitação, com Xangô a persegui-la. Oiá se dirigiu para um lugar onde carneiros pastavam. Escondeu-se entre os carneiros, pensando que Xangô não a encontraria. Mas a ira de Xangô era grandioso. Ele arremessava suas pedras de raio em todas as direções. Arremessou-as entre os carneiros, matando-os. Oiá continuou escondida embaixo dos corpos dos carneiros mortos e assim Xangô não obteve encontrá-la. Xangô tornou para habitação. Muitas pessoas de Oió estavam reunidas lá e clamavam pedindo que Xangô perdoasse Oiá. A raiva dele abrandou-se. Mandou seus empregados procurar Oiá e trazê-la para morada. Mas ele ainda não sabia como usar o preparado. Quando anoiteceu, ele pegou o pacote de Exu e seguiu a um lugar bem alto, de onde era capaz de ver toda a cidade. Situou um pouco do pó vermelho na língua e, quando expirou o ar dos pulmões, uma enorme labareda jorrou de sua boca, posteriormente outra e mais outra, sem parar. As chamas se estenderam por sobre toda a cidade, lambendo os telhados de palha das moradas de seus súditos e também as dependências do mansão régia real. Um majestoso incêndio agarrou conta de Oió. Tudo saiu consumido pelo labareda até as cinzas. Oió saiu destruída e teve que ser reconstruída. Em seguida que a cidade ressurgiu de suas cinzas, Xangô continuou a governá-la. Em tempos de confronto, ou quando as coisas o desagradam, Xangô arremessa as pedras de raio. E o labareda da boca de Xangô queima seus desafetos. Os carneiros que morreram protegendo Oiá das pedras de raio de Xangô não partiram esquecidos. Os devotos de Oiá não comem mais carne de carneiro.

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