Em épocas remotas, havia um indivíduo a quem Olorum e Exu ensinaram todos os segredos do mundo, para que pudesse fazer o bem e o mal, como bem entendesse. Os divindades que governavam o mundo, Obatalá, Xangô e Ifá, determinaram que, por ter se tornado feiticeiro tão poderoso, o indivíduo deveria oferecer uma grandioso festa para os orixás, mas eles estavam fartos de comer comida crua e fria. Desejavam coisa diferente: comida quente, comida cozida. Mas naquele tempo nenhum indivíduo sabia fazer labareda e sobremaneira menos cozinhar. Reconhecendo a própria incapacidade de satisfazer os divindades, o mortal seguiu até a encruzilhada e rogou ajuda a Exu. Esperou três dias e três noites sem nenhum sinal, até que ouviu uns estalos na mata. Eram as árvores que pareciam estar rindo dele, esfregando seus galhos umas contra as outras. Ele não gostou nada dessa brincadeira e invocou Xangô, que o ajudou lançando uma chuva de raios sobre as árvores. Alguns galhos incendiados caminharam decepados e lançados no chão, onde queimaram até restarem só as brasas. O ser humano apanhou algumas brasas e as cobriu com gravetos e abafou tudo colocando chão por cima. Algum tempo em seguida, ao descobrir o montinho, o ser humano observou pequenas lascas pretas. Era o carvão. O indivíduo dispôs os pedaços de carvão entre pedras e os acendeu com a brasa que restara. Após isso soprou até ver flamejar o chamas e no brasa cozinhou os alimentos. Assim, inspirado e protegido por Xangô, o ser humano inventou o fogão e foi capaz de satisfazer as ordens dos três imensos orixás. Os orixás comeram comidas cozidas e gostaram bastante. E permitiram ao ser humano comer delas também.

Xangô
Xangô ensina ao homem como fazer fogo para cozinhar
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