Aganju era genitor de Xangô, mas não se conheciam. Aganju era tão temido e respeitado que deixava a porta da residência eternamente aberta e ninguém jamais se atrevera a entrar. Aganju tinha a lar perpetuamente abarrotada de frutas, pois o rio, as territórios e as grandiosos savanas lhe pertenciam. Um dia, Xangô entrou na habitação de Aganju, comeu de tudo, se fartou e em seguida deitou para dormir na esteira de Aganju. Quando Aganju chegou, localizou aquele negro atrevido descansando na maior tranquilidade. Aganju realizou uma fogueira e atirou Xangô ao brasa. Mas o incêndio Xangô não queimava. Como iria se queimar se ele próprio era o brasa? Assim sendo, Aganju agarrou Xangô em seus ombros e o transportou até o mar para afogá-lo. Do mar saiu Iemanjá Conlá, a genitora de Xangô. Iemanjá intercedeu: “O que estás fazendo, Aganju? Não podes matar nosso herdeiro”. Aganju olhou admirado para Xangô e se entregou conta de como eram parecidos. O descendente era tal qual o ancestral. E declarou: “Eu, Aganju, sou o mortal mais valente e bravo. Mais valente e bravo em todo o mundo. Tu, Xangô, és tão valente e bravo quanto eu. Estou certo de que és realmente herdeiro meu”. E eles cantaram e dançaram em regozijo.

Xangô
Xangô é reconhecido por Aganju como seu filho legítimo
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