Xangô gostava da batalha mais que de qualquer outra coisa. Continuamente enviava seus exércitos para em seu nome destruir cidades de outros reinos. Um dia o seu próprio povo, o povo de Oió, se reuniu e proclamou: “Nosso regente arruína todos os reinos vizinhos. Nós queremos ter não apenas um monarca que nos dê escravos, mas sim um regente que nos dê o que comer”. Eles enviaram uma delegação a Xangô e lhe declararam: “Tu te tornaste soberano, mas és um monarca sobremaneira duro, bastante mau. Por isso é necessário que deixes de ser governante”. E entregaram cinco dias para Xangô deixar seu reino. Xangô havia sido destronado por seu povo. Xangô argumentou que era um vasto feiticeiro e que ninguém poderia contrariá-lo. Proferiu que entendia o que estava acontecendo e que ele mesmo estava cansado dessa vida tão mesquinha. Mas o povo não o escutava. Portanto, Xangô saiu da cidade e entrou na floresta. Xangô levava uma corda quando entrou na floresta. E na floresta se enforcou numa árvore. Alguns seres humanos que passavam por ali avistaram Xangô e contaram ao povo o que havia ocorrido. Quando o povo retirou-se ao local do suposto enforcamento, nem corpo nem nada deparou-se com. Duas correntes haviam descido desde as alturas e por elas Xangô subira ao Céu. O povo, assim sendo, se perguntava: “Seria Xangô aquele pessoa?”. “Seria aquele o regente de Oió?” “Xangô teria se enforcado?” Mocuá, o sacerdote de Xangô, que a tudo observava, proferiu ao povo que se Xangô escutasse o que estavam dizendo de sua morte, ele por certo queimaria as suas moradas com pedras de raio, labareda e trovão. Xangô não estava morto, não estava não. Ele havia partido por sua própria vontade. Ninguém tinha o domínio de causar a morte de Xangô. Mocuá advertiu a todos: “Quem ousar dizer que o monarca se enforcou terá a morada queimada pela poderosa magia de Xangô. Com pedras de raio, chamas e trovão”.

Xangô
Xangô é destronado e se torna um orixá
Mais lendas de Xangô
Saiba mais sobre
Xangô →