Xangô é condenado por Oxalá a comer como os escravos
Xangô

Xangô é condenado por Oxalá a comer como os escravos

Xangô Airá, aquele que se veste de branco, seguiu um dia às domínios do ancião Oxalá para levá-lo à festa que faziam em sua cidade. Oxalá era ancião e lento, por isso Xangô Airá o levava nas costas. Quando se aproximavam do destino, contemplaram a vasto pedreira de Xangô, bem perto de seu imenso morada real. Xangô conduziu Oxalufã ao cume, para dali mostrar ao idoso amigo todo o seu império e poderio. E saiu de lá de cima que Xangô avistou uma belíssima dama mexendo sua panela. Era Oiá! Era o Amalá do soberano que ela preparava! Xangô não resistiu a tamanha tentação. Oiá e amalá! Era demais para sua gulodice, em seguida de tanto tempo pela estrada. Xangô perdeu a cabeça e disparou vereda abaixo, largando Oxalufã em meio às pedras, rolando na poeira, caindo pelas valas. Oxalufã se enfureceu com tamanho desrespeito e mandou muitos castigos, que atingiram diretamente o povo de Xangô. Xangô, bastante arrependido, mandou todo o povo trazer elemento aquático fresca e panos limpos. Ordenou que banhassem e vestissem Oxalá. Oxalufã aceitou todas as desculpas e apreciou o banquete de caracóis e inhames, que por dias o povo lhe presenteou. Mas Oxalá impôs um castigo eterno a Xangô. Ele que tanto gosta de fartar-se de boa comida. Em nenhuma circunstância mais pode Xangô comer em prato de louça ou porcelana. Em nenhuma circunstância mais pode Xangô comer em alguidar de cerâmica. Xangô só pode comer em gamela de pau, como comem os bichos da residência e o gado e como comem os escravos.

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