Oxumaré e o mistério da serpente arco-íris
Oxumaré

Oxumaré e o mistério da serpente arco-íris

No princípio dos tempos, quando o céu e a terra ainda aprendiam a conviver, Olodumare sentiu que faltava um elo entre o mundo de cima e o mundo de baixo. Os orixás do céu não conseguiam enviar sua energia vital para a terra, e os seres do solo não conseguiam elevar suas preces ao alto. Foi então que Olodumare convocou Oxumaré, a serpente sagrada, e lhe confiou a mais nobre das missões: servir de ponte entre os dois mundos. Oxumaré aceitou e estendeu seu longo corpo, cujas escamas reluziam em todas as cores do espectro luminoso. Quando a chuva encontrava o sol, Oxumaré emergia no céu como arco-íris, e sua presença sinalizava que o Axé fluía livremente entre o Orum e o Aiyê. Mas Oxumaré carregava também o mistério da dualidade: durante seis meses do ano habitava o céu em forma de serpente masculina, e nos outros seis meses descia à terra em forma feminina. Por isso dizem que Oxumaré é ao mesmo tempo homem e mulher, dia e noite, início e fim. Quem avista o arco-íris após a chuva sabe que Oxumaré passeia entre os dois mundos, renovando o ciclo eterno da vida.

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