Havia uma época em que a riqueza do mundo estava estagnada. O ouro ficava nos porões dos ricos, a chuva se acumulava nas nuvens e não caía, os frutos apodreciam nas árvores sem que ninguém os colhesse. O mundo inteiro estava em desequilíbrio porque a circulação havia cessado. Os seres humanos lamentavam, os orixás se preocupavam. Foi Oxumaré quem percebeu o problema: a energia e a riqueza do universo precisam circular, como as águas de um rio que nunca param de correr. Oxumaré então se moveu pelo mundo em forma de serpente, deslizando por entre os tesouros acumulados, fazendo com que o ouro voltasse a fluir, que a chuva descesse e que os frutos fossem colhidos e partilhados. Desde aquele dia, Oxumaré é o guardião do movimento e da prosperidade. Seus filhos entendem que a verdadeira riqueza não está em acumular, mas em fazer circular: dar, receber, compartilhar e renovar. Por isso o Candomblé ensina que segurar demais aquilo que se tem é ir contra a vontade de Oxumaré.

Oxumaré
Oxumaré e a riqueza que circula pelo mundo
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