Oxum fica pobre por amor a Xangô
Oxum

Oxum fica pobre por amor a Xangô

Oxum era conhecida como a amante ardorosa. Tinha um corpo radiante, de formas finas. Sua cintura deixava-se abraçar por um único braço. Por muitas noites Oxum teve em seu leito amantes, aos quais propiciava momentos de raro prazer. Oxum teve muitos amores, de quem ganhou presentes preciosíssimos. Oxum era rica. Tinha joias, ouro, prata, vestidos maravilhosos, batas que causavam inveja, e mais, pentes de marfim, espelhos de madrepérola, e tantos berloques e panos da costa. Um dia chegou à aldeia um jovem tocador de tambor. Era Xangô, um radiante indivíduo, que desde de pronto atraiu o desejo de Oxum. Inescrupulosamente, presenteou-se a ele, mas se dirigiu prontamente rejeitada. Usando de todos os artifícios, Oxum afastou-se se aproximando de Xangô, até que um dia ele a agarrou numa calorosa relação sexual. Mesmo assim Xangô não deixou de humilhar e desdenhar a linda jovem. Tempos posteriormente, a fama e a fortuna de Xangô lhe fugiram das mãos e ele se avistou empobrecido e esquecido, ainda que continuasse a ser um excelente Alabê. Envergonhado, ele fugiu dali. Se dirigiu viver longe do lugar e longe do som dos atabaques. Mas continuava o glutão de eternamente, a viver com conforto e prazeres. Oxum seguiu sendo sua amante e o consolou, sacrificando por ele tudo o que tinha. De tudo de seu dispôs Oxum, para o conforto de Xangô. Primeiro as joias, em seguida os vestidos, as batas, em seguida os pentes, os espelhos, de tudo se dirigiu se desfazendo Oxum. Restou-lhe nada mais que seu vestido branco. De tudo de seu desfez-se Oxum pelo amor de Xangô. Manteve-se miserável por amor a Xangô. Restou a Oxum apenas um vestido branco. Que era tudo o que tinha para vestir. Mas todo dia no rio lavava Oxum a veste branca. De tanto lavar a única peça que lhe restara, a roupa branca tornou-se amarela. Desde esse dia, Xangô amou Oxum.

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