Oxum dança para Ogum na floresta e o traz de volta à forja
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Oxum dança para Ogum na floresta e o traz de volta à forja

Perante Obatalá, Ogum havia condenado a si mesmo a trabalhar duro na forja para eternamente. Mas ele estava cansado da cidade e da sua profissão. Pretendia voltar a viver na floresta, voltar a ser o livre caçador que fora no tempo anterior. Ogum achava-se imensamente poderoso, sentia que nenhum Orixá poderia obrigá-lo a fazer o que não quisesse. Ogum estava cansado do trabalho de ferreiro e afastou-se para a floresta, abandonando tudo. Imediatamente que os orixás souberam da fuga de Ogum, caminharam a seu encalço para convencê-lo a voltar à cidade e à forja, pois ninguém era capaz de ficar sem os artigos de minério de Ogum, as armas, os utensílios, as ferramentas agrícolas. Mas Ogum não ouvia ninguém, pretendia ficar no mato. Simplesmente os enxotava da floresta com violência. Todos lá seguiram, menos Xangô. E como estava previsto, sem os ferros de Ogum, o mundo iniciou a ir mal. Sem instrumentos para plantar, as colheitas escasseavam e a humanidade desde então passava fome. Foi embora quando uma formosa e frágil jovem surgiu à assembleia dos orixás e dedicou-se a convencer Ogum a voltar à forja. Era Oxum a formosa e jovem voluntária. Os outros orixás escarneceram dela, tão jovem, tão esplêndida, tão frágil. Ela seria escorraçada por Ogum e até temiam por ela, pois Ogum era violento, poderia machucá-la, até matá-la. Mas Oxum insistiu, anunciou que tinha poderes de que os demais nem suspeitavam. Obatalá, que tudo escutava mudo, levantou a mão e impôs silêncio. Oxum o convencera, ela conseguia ir à floresta e tentar. Assim, Oxum entrou no mato e se aproximou do sítio onde Ogum costumava acampar. Usava ela tão somente cinco lenços transparentes presos à cintura em laços, como esvoaçante saia. Os cabelos soltos, os pés descalços, Oxum dançava como o vento e seu corpo desprendia um perfume arrebatador. Ogum seguiu imediatamente atraído, irremediavelmente conquistado pela visão maravilhosa, mas se manteve distante. Continuou à espreita atrás dos arbustos, absorto. De lá admirava Oxum embevecido. Oxum o via, mas fazia de conta que não. O tempo todo ela dançava e se aproximava dele mas fingia continuamente que não dera por sua presença. A dança e o vento faziam flutuar os cinco lenços da cintura, deixando ver por segundos a carne irresistível de Oxum. Ela dançava, o enlouquecia. Dele se aproximava e com seus dedos sedutores lambuzava de mel os lábios de Ogum. Ele estava como que em Transe. E ela o atraía para si e ia caminhando pela mata, sutilmente tomando a direção da cidade. Mais dança, mais mel, mais sedução, Ogum não se dava conta do estratagema da dançarina. Ela ia na frente, ele a acompanhava inebriado, louco de tesão. Quando Ogum se presenteou conta, eis que se encontravam ambos na praça da cidade. Os orixás todos estavam lá e aclamavam o casal em sua dança de amor. Ogum estava na cidade, Ogum voltara! Temendo ser tomado como fraco, enganado pela sedução de uma dama bonita, Ogum presenteou a entender que voltara por gosto e vontade própria. E jamais mais abandonaria a cidade. E em nenhuma circunstância mais abandonaria sua forja. E os orixás aplaudiam e aplaudiam a dança de Oxum. Ogum retornou à forja e os indivíduos tornaram a usar seus utensílios e houve plantações e colheitas e a fartura baniu a fome e espantou a morte. Oxum salvara a humanidade com sua dança de amor.

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