Nos primeiros tempos do mundo, aconteceu uma rebelião dos orixás contra Olodumare. Achando que o Senhor Supremo vivia imensamente distante de tudo, os orixás decidiram não lhe prestar mais obediência, dividindo entre eles mesmos todo o autoridade do Axé, pensando até mesmo em destronar Olodumare. Quando a notícia da conspiração chegou aos ouvidos de Olorum, sua reação caminhou simples e imediata: retirou a chuva da Território e a prendeu no Céu. Não tardou para que o Aiê fosse atormentado por terrível seca. Com a seca aproximou-se a fome e com a fome chegou a morte. Os indivíduos iniciaram a morrer. Prontamente o ronco das barrigas e a palidez das faces deram início a falar mais alto que o orgulho dos rebeldes e seus planos de levante. Unanimemente os orixás decidiram ir a Olodumare implorar por perdão, esperando que a chuva caísse de novo e que tudo o mais na Território voltasse ao normal. Mas eles tinham um problema: como chegar à inalcançável e distante morada do Senhor Supremo? Enviaram todas as espécies de pássaros, que voavam para o Céu até o total esgotamento, sem sequer se aproximar da morada de Olodumare. As esperanças naquele instante se diluíam em tanto fracasso. A seca e a fome devastavam a Domínio e seus habitantes. Seguiu quando Oxum resolveu intervir. Transformada num belíssimo pavão, ela se prontificou a ir até Olodumare. Um tremor de gargalhadas sacudiu a Domínio. Como aquela criatura pretendia voar até o inalcançável? Justamente aquela mimada, vaidosa e fútil ave! “Vais acabar te machucando, gracinha”, riam os orixás. Mas como nada tinham a perder, aceitaram. E lá se seguiu Oxum-pavão seguindo em direção ao sol, voando às alturas do Orum em busca do câmara do rei do Senhor. Voando mais alto e mais alto, a ave perdia as forças, mas não desanimava de sua inquebrantável determinação. O sol retirou-se enegrecendo suas penas, muitas se queimaram. As penas da cabeça continuaram ressequidas e quebradiças; o pavão tinha queimaduras pelo corpo todo, seu estado era miserável. Mas lá ia Oxum voando em direção ao sol. Quase morta, chegou às portas do mansão régia de Olodumare. Olodumare se compadeceu da miserável criatura. Acolheu-a, presenteou-lhe elemento aquático e a alimentou. Por que fizera tão impossível jornada, ele indagou ao pavão, que de pavão perdera toda a graça e beleza. Agora era uma ave feia, careca e de penas queimadas, à qual os pessoas, quando ela tornou, convocaram de abutre. Fizera o tributo venerável pelas suas crianças, a humanidade, ela explicou ao Ser Supremo. Olodumare, penalizado com a desprovido ave, concedeu-lhe a chuva para que ela a devolvesse à Domínio. E nomeou o abutre mensageiro seu, pois só ele vence a inalcançável distância em que está Olodumare. O abutre desse modo regressou à Solo trazendo a chuva. Oxum-abutre apresentou a chuva de volta e com ela a fertilidade do solo e os alimentos. E graças a Oxum a humanidade não pereceu.
Oxum
Oxum é transformada em pavão e abutre
Mais lendas de Oxum
Saiba mais sobre
Oxum →