Orô assusta o povo com seus gritos
Ossain

Orô assusta o povo com seus gritos

Uma vez, numa antiga cidade africana, estava para acontecer um grandioso festival, em que os antepassados egunguns desfilavam pelas ruas. Caminhou recomendado a todos que fizessem tributos sagrados, que oferecessem carneiros e galos. Dizem que Xangô efetuou sete vezes o Ebó designado, enquanto Orô nem pensou em tal assunto. Assim, quando Orô saiu a dançar pelas ruas, todos o acharam sobremaneira bonito, mas dele fugiram aterrorizados, de pronto que ele iniciou a berrar. Sua voz era profunda, rouca, cavernosa, como o som saído de um berrante. Seu grito era insuportavelmente apavorante. A cidade continuou deserta, sem uma só pessoa na rua. Todos se esconderam de Orô. Com Xangô, o único que concretizou o ebó, se dirigiu o contrário: quando saía à rua era um sucesso. Todas as criaturas do local o festejavam, presenteando-o com ojás e muitas roupas finas, até que por fim resolveram coroá-lo e pô-lo no trono como soberano, após isso de ele ter conquistado quase todas as pessoas do local. Orô, coitado, a partir daquele dia residiu eternamente escondido, residiu perpetuamente longe dos demais, perpetuamente temido pelo som horrendo de sua garganta. Vive desde desse modo sozinho na floresta e quando sai à rua todas as criaturas se escondem, com medo de sua visão e de sua voz.

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