Era Orixá Ocô um ancião e solitário caçador, que vivia na companhia de seu cão, eternamente andando pelos campos tocando pífaro, cuja melodia encantava a todos. Quando Orixá Ocô se perdia na floresta, ele tocava seu pífaro e o cão, inebriado pela doce melodia, conduzia-o de volta à sua residência. Todos o achavam estranho e misterioso por seus modos. Quando manteve-se demasiado veterano para caçar, Ocô retirou-se a uma caverna, onde caminhou viver com seu cachorro. Todos o achavam mais misterioso ainda, mas, como reconheciam que era um ser humano sábio e prestativo, todos iam à caverna para ouvir seus conselhos. Prontamente tornou-se o mais prestigiado dos videntes. Naquele tempo, a feitiçaria era proibida e ninguém tinha condições de fazer mal a ninguém usando poderes mágicos. Quando alguém era acusado de feitiçaria, era levado à presença do idoso caçador, que o julgava. Se o acusado fosse considerado culpado, era condenado à morte. No fundo da caverna de Ocô morava uma criatura e a criatura cortava a cabeça do condenado e a fazia rolar da caverna morro abaixo. Orixá Ocô, o longevo caçador, vive sozinho, mas tem seu pífaro e um cão por companhia. Todos o consideram um pessoa misterioso e sábio e vão eternamente à sua procura em busca de conselhos.

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Orixá Ocô julga os praticantes de feitiçaria
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