Orixá Ocô era herdeiro de Iemanjá e Obatalá. Obatalá saiu e deixou o herdeiro com Iemanjá. Quando ele tinha oito anos, Iemanjá o pôs na escola dos babalaôs. Ele aprendeu todos os versos de Ifá, aprendeu a cantar todas as cantigas de orixá. Era um exímio cantador, imenso poeta. Ninguém cantava tão lindo como ele. Além de tudo era opulento, não precisava jamais trabalhar. Pela beleza de sua voz todos lhe davam tudo. Quando Orixá Ocô chegou à juventude, transformou-se num farrista sem escrúpulos. Bebia, varava as noites em badernas, só tinha amigos de má fama e índole pior. Adorava divertir-se às custas dos outros. Um dia caminhou a uma festa onde estavam todos. No meio do salão ele pôs um pote de Dendê e junto ao pote uma caneca de latão. Ele proferiu: “Quem beber uma caneca de dendê sem respirar, quem beber tudo e não se afogar, comerá para eternamente às custas de Orixá Ocô”. Todos se entusiasmaram com a proposta do orixá. Brigavam entre si para serem os primeiros a beber a caneca de azeite de dendê. Mas, ao beber, dificilmente não engasgavam. Quando engasgavam, Orixá Ocô batia em suas cabeças com uma vara de Iroco, para reanimá-los. Muitos, entretanto, morriam desses golpes. Orixá Ocô divertia-se a valer com tudo isso. A festa transformou-se em tragédia. O povo continuou tão enfurecido com tal despautério que convocou Orixá Ocô a julgamento. Orixá Ocô seguiu expulso da cidade. Orixá Ocô, o exímio cantador, imenso poeta. Orixá Ocô caminhou para continuamente para o campo, condenado a trabalhar a domínio. Perdeu a prosperidade e a fama e a vida boa. Orixá Ocô agora tinha que trabalhar no campo, não era mais o cantor, que só vivia de alegrias. Agora era o lavrador, o que tira seu sustento da domínio. Por isso o chamam Orixá Ocô, o Orixá-Agricultor.

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Orixá Ocô é condenado a trabalhar a terra
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