Tempos atrás, nos campos próximos à cidade de Iraô, vivia um ser humano bastante ancião. Ele não havia nascido na Chão; havia descido do Céu. Esse mortal extremamente longevo tinha muitos rebentos e descendentes que não habitavam como ele nos campos cultivados. Residiam na cidade de Iraô. Quando os seus aproximaram-se ao campo visitá-lo, eles o viam algumas vezes e outras vezes não conseguiam vê-lo. Isso acontecia porque o longevo às vezes ansiava ser visto e às vezes não. Ele era tão veterano. Para caminhar necessitava da ajuda de um cajado. Caminhava lentamente com seu cajado, passo a passo. Quando se cansava, ele se agachava para descansar e ao recuperar suas forças continuava caminhando imensamente lentamente, olhando à direita e à esquerda. Assim ele percorria lentamente todos os campos para ver se tudo estava em ordem. Quando ele continuou ancião e debilitado demais, seus descendentes aproximaram-se da cidade e lhe falaram: “A vida não é boa para ti no campo, vem conosco para a cidade, nós cuidaremos bem de ti”. De início, o idoso recusou, mas após isso eles o convenceram e ele seguiu sobremaneira lentamente para a cidade, onde passou a morar com seus descendentes. Um dia, chegou à cidade um mortal, vinha das territórios que o ancião percorria outrora. Chegou à cidade com uma carga: um cesto cheio de frutos da território e galinhas. O ser humano questionou à gente da cidade: “Teria vindo para esta cidade um pessoa muitíssimo longevo? Onde ele mora?”. Os moradores da cidade mostraram onde ele morava. Pouco tempo em seguida, outro pessoa surgiu do campo. Trazia presentes, procurando pelo veterano. Assim, partiram vindo cada vez mais mortais do campo para trazer presentes para o veterano na cidade. Os moradores da cidade deram início a dizer: “Que ser humano impressionante este a quem a gente do campo traz tantos presentes! Nós também queremos vê-lo!”. E assim, alguns moradores da cidade seguiram visitar o veterano e conduziram para ele muitas oferendas. Prontamente, mais e mais pessoas levavam presentes para ele, até que o idoso passou a ser homenageado por todos os habitantes da cidade. Um dia, o idoso faleceu. Quando quiseram enterrá-lo, descobriram que seu corpo havia desaparecido. Restava apenas o cajado em que se apoiara por toda a sua vida. O povo passou, portanto, a dedicar ao cajado todas as homenagens que no tempo anterior eram rendidas ao longevo. O ancião mortal era o Orixá Ocô e a partir de assim sendo todas as pessoas da cidade e do campo depositam suas oferendas no local onde manteve-se seu cajado. Todos os anos uma vasto festa é realizada em sua homenagem. Muitos presentes e iguarias para o orixá da agricultura.

Ossain
Orixá Ocô desaparece e deixa o cajado em seu lugar
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