Ori faz o que os orixás não fazem
Oxaguian

Ori faz o que os orixás não fazem

Orunmilá reuniu todos os orixás em sua lar e lhes realizou a seguinte pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Xangô contestou que ele tinha condições de. Assim sendo lhe caminhou perguntado o que ele faria após isso de ter andado, andado e andado até as portas de Cossô, a cidade de seus pais. Onde iam preparar-lhe um Amalá e oferecer-lhe uma gamela de farinha de inhame. Onde lhe dariam orobôs e um galo, um aquicó. Xangô replicou: “Em seguida de me fartar, retornarei à minha lar”. Portanto saiu dito a Xangô que ele não conseguiria acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. Aos que entravam pela porta e ali ficavam de pé, Ifá concretizou a pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Oiá replicou que ela poderia. Caminhou-lhe perguntado o que ela faria em seguida de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar e chegar à cidade de Irá, o lar de seus pais, onde lhe ofereceriam uma gorda cabra e lhe dariam um pote de cereal. Oiá replicou: “Em seguida de comer até me satisfazer, voltarei para residência”. Se dirigiu dito a Oiá que ela não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá executou a seguinte pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Oxalá declarou que ele poderia. Seguiu-lhe perguntado portanto o que ele faria posteriormente de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar e chegar à cidade de Ifom, o lar dos seus pais, onde matariam duzentos igbins servidos com melão e vegetais. Oxalá contestou: “Após isso de comer até ficar saciado, voltarei para minha morada”. Se dirigiu dito a Oxalá que ele não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. A todos os divindades reunidos por Orunmilá, Ifá efetuou a seguinte pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Exu retorquiu que ele era capaz de acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não mais voltar. Assim sendo seguiu-lhe perguntado: “O que farás em seguida de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar, e chegar à cidade de Queto, o lar de teus pais, e ali te derem um galo e vasto quantidade de azeite de Dendê e aguardente?”. Ele replicou que, posteriormente de se fartar, voltaria para sua residência. Afastou-se dito a Exu: “Não, não poderias acompanhar teu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar”. A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá concretizou a pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Ogum falou que ele sim poderia. Caminhou-lhe perguntado o que ele faria em seguida de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar e chegar à cidade de Irê, o lar de seus pais, onde haviam de lhe oferecer feijões-pretos cozidos e lhe matar um cachorro e um galo. Ogum contestou: “Após isso de me satisfazer, voltarei para minha residência, cantando alto e alegremente pelo rota”. Caminhou dito a Ogum que ele não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. A todos os seres sagrados reunidos por Orunmilá, Ifá efetuou a seguinte pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. Oxum proferiu que ela conseguia. Retirou-se-lhe perguntado: “O que farias posteriormente de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar, e chegar à cidade de Ijimu, o lar de teus pais, onde te dariam cinco pratos de feijão-fradinho com camarão, tudo acompanhado de vegetais e cerveja de milho?”. Retorquiu Oxum: “Após isso de me saciar, voltaria para minha morada”. E caminhou dito a Oxum que ela não poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. A todos os orixás reunidos por Orunmilá, Ifá executou a pergunta: “Quem dentre os orixás pode acompanhar seu devoto numa longa viagem além dos mares e não voltar mais?”. O próprio Orunmilá declarou que ele poderia acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares. Se dirigiu-lhe perguntado: “O que farás após isso de caminhar uma longa distância, caminhar e caminhar e chegar à cidade de Igueti, o lar de teus pais, onde vão te oferecer dois ligeiros preás, dois peixes que nadam graciosamente, duas aves fêmeas com grandiosos fígados, duas cabras pesadas de prenhas, duas novilhas com vastos chifres? E onde vão te preparar inhames pilados, mingaus de farinhas brancas e a mais preciosa de todas as cervejas? E também te oferecer os mais saborosos obis e as melhores pimentas doces?”. “Posteriormente de me fartar”, replicou Orunmilá, “voltarei para minha habitação.” O sacerdote de Ifá permaneceu pasmo. Não conseguia dizer uma palavra sequer. Porque ele simplesmente não entendia essa parábola. Declarou ele: “Orunmilá, eu confesso minha incapacidade. Por favor, ilumina-me com tua sabedoria. Orunmilá, és o líder, eu sou o teu seguidor. Qual é a resposta para a pergunta sobre quem dentre os seres sagrados pode acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares?”. Falou Orunmilá: “A única resposta é. . . o Ori. Somente Ori pode acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares”. Falou Orunmilá: “Quando morre um sacerdote de Ifá, dizem que seus apetrechos de adivinhação devem ser deixados numa corrente d’elemento aquático. Quando morre um devoto de Xangô, dizem que suas ferramentas devem ser despachadas. Quando morre um devoto de Oxalá, dizem que sua parafernália deve ser enterrada”. Proferiu também Orunmilá: “Mas, quando os seres humanos morrem, a cabeça em nenhuma circunstância é separada do corpo para o enterro. Não. Lá está o Ori. Lá vai ele junto com o seu devoto morto. Somente o Ori pode acompanhar para perpetuamente seu devoto, a qualquer lugar”. Falou ainda Orunmilá: “Pois o Ori é o único que pode acompanhar seu devoto numa viagem sem volta além dos mares”.

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