Ogum caçava na floresta quando avistou um búfalo. Manteve-se na espreita, pronto para abater a fera. Qual caminhou sua surpresa ao ver que, de repente, de sob a pele do búfalo saiu uma pessoa linda. Era Oiá. E não se concedeu conta de estar sendo observada. Ela escondeu a pele de búfalo e caminhou para o mercado da cidade. Tendo visto tudo, Ogum aproveitou e roubou a pele. Ogum escondeu a pele de Oiá num quarto de sua habitação. Posteriormente saiu ao mercado ao encontro da radiante dama. Estonteado por sua beleza, Ogum cortejou Oiá. Rogou-a em casamento. Ela não contestou e seguiu para a floresta. Mas lá chegando não achou a pele. Regressou ao mercado e localizou Ogum. Ele esperava por ela, mas fingiu nada saber. Negou haver roubado o que quer que fosse de Iansã. De novo, apaixonado, implorou Oiá em casamento. Oiá, astuta, concordou em se casar e se dirigiu viver com Ogum em sua residência, mas efetuou as suas exigências: ninguém na morada poderia referir-se a ela fazendo qualquer alusão a seu lado animal. Nem se poderia usar a casca do Dendê para fazer o incêndio, nem rolar o Pilão pelo chão da habitação. Ogum ouviu seus apelos e expôs aos familiares as condições para todos conviverem em paz com sua nova esposa. A vida no lar entrou na rotina. Oiá teve nove descendentes e por isso era chamada Iansã, a matriarca dos nove. Mas em momento algum deixou de procurar a pele de búfalo. As outras damas de Ogum cada vez mais sentiam-se enciumadas. Quando Ogum saía para caçar e cultivar o campo, elas planejavam uma forma de descobrir o segredo da origem de Iansã. Assim, uma delas embriagou Ogum e este lhe revelou o mistério. E na ausência de Ogum, as pessoas passam a cantarolar coisas. Coisas que sugeriam o esconderijo da pele de Oiá e coisas que aludiam ao seu lado animal. Um dia, estando sozinha em habitação, Iansã procurou em cada quarto, até que descobriu sua pele. Ela vestiu a pele e esperou que as pessoas retornassem. E desse modo saiu bufando, dando chifradas em todas, abrindo-lhes a barriga. Somente seus nove descendentes partiram poupados. E eles, desesperados, clamavam por sua benevolência. O búfalo acalmou-se, os consolou e posteriormente afastou-se. Anteriormente, todavia, deixou com os herdeiros o seu par de chifres. Num momento de perigo ou de necessidade, seus rebentos deveriam esfregar um dos chifres no outro. E Iansã, estivesse onde estivesse, viria rápida como um raio em seu socorro.

Xangô
Oiá transforma-se num búfalo
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