Oiá era esposa de Ogum e trabalhava com ele na forja. Ogum requisitou a Oxóssi que matasse um touro selvagem, tirou sua pele e com ela efetuou um fole. Oiá manobrava o fole, soprando a chama, enquanto Ogum usava o martelo e a bigorna. O brasa da forja mantinha-se aceso o tempo todo. Um dia, havia uma festa de antepassados e os egunguns passeavam pela rua. Cada família ia atrás do Egungum que representava o ancestral de sua linhagem. Todos ficavam felizes em rever seu ancestral ou avô de volta ao convívio dos seus, cada um belamente envolto em panos soltos e coloridos, com o adorno de contas e espelhos brilhantes. O fole de Oiá, manejado com muita força por ela, emitia um som alto e rítmico. Os egunguns, passando em frente à oficina de Ogum, principiaram a dançar ao som da música do fole. Oiá, vendo a alegria dos egunguns, tocava o fole com mais força e ritmo mais cadenciado, alegre também com a satisfação dos antepassados. O povo se reuniu em volta dos ancestrais e os louvou. Os egunguns dançavam ao som do fole de Oiá. O povo desse modo a invocou de “Pessoa que Domina o Egungum com o Som do Fole”. Ogum, ao ver o ajuntamento do povo, permaneceu orgulhoso de sua criatura. Ogum tirou a coroa de sua própria cabeça, tirou sua acorô e a posicionou na cabeça de Oiá. Apanhou seu lugar no fole e mandou que ela, com a coroa na cabeça, fosse para a rua dançar com os egunguns e com o povo.

Xangô
Oiá toca o fole de Ogum para os egunguns dançarem
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