Obatalá tinha em lar um galo branco e o galo lhe servia de guardião. Quando Obatalá de lar se ausentava, se algum fato incomum acontecesse, o galo o avisava e ele retornava. De volta a habitação, tudo o que ocorria o galo lhe contava. Um dia Obatalá se ausentou e seu descendente Ogum aproveitou-se da ausência do genitor e deitou-se com sua progenitora Iemu. De onde estava, Obatalá escutou o cantar do galo: “Ogundadié! Ogundadié!”. A habitação de Obatalá tinha uma única entrada. Ao chegar, descobriu a porta trancada e o galo aos gritos. Iemu percebeu o motivo do alvoroço do galo e requisitou a Ogum que saísse correndo. Obatalá entrou em habitação e sentiu cada movimento, leu nos olhos de Iemu algo que o realizou desconfiar. Nesse mesmo dia implorou à dama que fizesse provisões, pois faria uma viagem bastante longa. Pela madrugada Obatalá saiu em caminhada, mas se escondeu na mata próxima. Ogum e Iemu, satisfeitos com a ausência do longevo, novamente se relacionaram. Obatalá esperou um pouco e escutou o galo gritar: “Ogundadié! Ogundadié!”. Obatalá apanhou o rumo de residência e bateu na porta. Ogum ouviu a insistente batida e pôs-se a esbravejar. Iemu solicitou-lhe que atendesse à porta. Para seu espanto, Ogum avistou seu ancestral diante de si e, sem explicações, atirou-se ao chão pedindo perdão, dizendo: “Perdoa-me, genitor, castiga-me de dia e de noite”. Obatalá ouviu o descendente. O próprio rebento havia decretado sua pena: enquanto o mundo fosse mundo, Ogum não descansaria de dia nem de noite. As estradas seriam sua morada. Para eternamente andaria por elas, ajudando os viageiros que se perdem nos trajetos e deles recebendo oferendas para sobreviver.

Ogum
Ogum trai o pai e deita-se com a mãe
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