Oxum, que vivia com Xangô, sentia muita fome. Porque na residência de Xangô só comia galo com quiabo. Xangô dava-lhe de tudo: uma morada linda, roupas das mais belas e bastante ouro, só que na hora de comer ele dizia: “Ela tem que comer minha comida”. Assim, Oxum vivia passando fome, porque ela não comia quiabo, que não era comida sua. Um dia, quando Xangô estava longe de habitação, Oxum sentou-se na varanda. Apesar de estar muitíssimo linda, nem todo seu charme e elegância podiam esconder o semblante desolado e choroso: sentia fome terrível. Ogum, desse modo, passou a cavalo, contemplou Oxum e anunciou: “Oh, rainha Oxum, formosa como és, por que choras?”. Ela retorquiu: “Aqui tenho conforto e luxo, mas não tenho as minhas comidas. Estou morrendo de fome”. Ogum desse modo anunciou: “Se não morreste até agora, minha cara, naquele instante não vais morrer. Toma estas cinco galinhas para ti”. Oxum pegou as galinhas, correu para dentro de lar e as cozinhou e comeu. Quando Xangô retornou para lar, descobriu sua pessoa alegre e satisfeita. Ciumento, teve certeza de que a felicidade de Oxum era responsabilidade de Ogum. Pegou, portanto, seu machado e retirou-se para brigar com Ogum. Quando passava por uma ponte na parte mais larga do rio, achou Ogum. Se dirigiu prontamente tentando começar a luta. Ogum, entretanto, com seu senso de responsabilidade, anunciou que não ansiava briga e explicou as razões por que tinha dado comida a Oxum. Que Oxum era uma rainha e que assim sendo não deveria receber habitação e presentes finos e ao mesmo tempo morrer de fome. Que Oxum precisava da comida de que gostava. Xangô, entretanto, proferiu que tratava sua dama da forma como bem entendesse e que ela continuaria a ter roupas finas, joias e quiabos. Ogum não concordou, mas evitou brigar. Xangô, todavia, atirou o seu oxé em Ogum. Ogum se protegeu e mais uma vez tentou explicar. Não tivera más intenções ao oferecer as galinhas a Oxum. Jamais magoaria Iemanjá, a matriarca de ambos, entrando numa conflito com Xangô, o rebento predileto da rainha. Mas Xangô atacou Ogum de novo e Ogum, não podendo mais evitar o combate, lançou a gládio sobre Xangô. A luta entre os irmãos foi embora demorada. Da estrada a briga passou para cima da ponte e da ponte, para quase dentro do rio. Xangô rendeu-se, temendo cair dentro d’fonte de vida, pois a líquido consagrado apaga o incêndio de Xangô.

Ogum
Ogum livra Oxum da fome imposta por Xangô
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