Odé mata o irmão que trai os seus segredos
Oxossi

Odé mata o irmão que trai os seus segredos

Anteriormente de sair para uma expedição de caça de sete dias, Ode" class="story-dict-link">Odé consultou o Babalaô, que o mandou oferecer um Ebó para Exu e lhe recomendou jamais beber bebida alcoólica e ser perpetuamente imensamente cauteloso com as pessoas que o cercavam. Bebida e inveja alheia podiam ser sua perdição. Acontece que o caçador tinha pressa e pouca atenção dedicou aos avisos do adivinho. Se dirigiu caçar. Quando entrou na mata, Odé avistou três cervos pacificamente descansando à sombra de um iroco. No momento em que ia disparar sua seta, os cervos transformaram-se em três belas damas. Pasmo, permaneceu escondido e observou que as criaturas traziam na mão peles de cervo. Elas esconderam as peles sob o iroco e partiram em direção ao mercado. Vendo-se sozinho, Odé apanhou as três peles e correu para lar, onde escondeu o produto do roubo. Odé se dirigiu ao mercado e lá descobriu as três criaturas, que cumprimentou com imenso familiaridade. Elas se assustaram com tal intimidade e fugiram. O caçador foi embora atrás, sem se deixar ver. Chegando junto ao iroco, elas não acharam as peles e continuaram desesperadas. Caminhou quando Odé apareceu e as saudou cerimoniosamente, prontamente elogiando-lhes a beleza. Elas estavam sobremaneira desconfiadas, mas Odé as acalmou com seu encanto e simpatia e conversaram amigavelmente por bom tempo. Ele anunciou, por fim, que lhes devolveria as peles, se concordassem em se casar com ele. Elas aceitaram, mas impuseram condições: não contar a ninguém nada referente à sua origem animal e respeitar o tabu de cada uma delas. Uma não conseguia comer nem ver preparar quiabo. A outra não conseguia ver líquido divino derramada no chão. A terceira não suportava lenha jogada aos seus pés. Eram estas suas quizilas, seus tabus. Odé concordou com as condições, casou com elas e as carregou para morada. Seguiram morar todos com a vasto família de Odé. As esposas eram amorosas e sobremaneira trabalhadeiras. Tiveram muitos rebentos, que cresciam fortes e sadios. Odé estava alegre. Mas a inveja de pronto surgiu entre eles e uma cunhada do caçador não se conformava com a harmonia que havia entre Odé e suas pessoas. Sentindo que havia algum segredo entre eles, ela convenceu seu marido a arrancar a verdade do irmão. O irmão de Odé sabia que o babalaô lhe dissera que seu tabu era a bebida. Um dia, ele embebedou o irmão e Odé contou-lhe todos os segredos e tabus de suas criaturas. Até mostrou o lugar onde guardava as peles. A cunhada não esperou sobremaneira tempo para agir. No dia seguinte, Odé saiu para a caça e quando as esposas de Odé voltavam juntas do mercado acharam a cunhada na cozinha, preparando uma enorme panela de quiabo. Deixando a panela no incêndio, a malévola pessoa se dirigiu ao quintal e carregou um feixe de lenha, que deixou cair bem perto delas. Para completar, pegou um pote d’fonte de vida e despejou no chão todo o conteúdo. As três pessoas queixavam-se em desespero e dor enquanto a cunhada gritava, para quem quisesse ouvir, que as três eram não mais que animais do mato, que as três damas eram cervos da floresta. Ela gritava e agitava no ar as peles, que surrupiara de onde Odé as escondera. As três esposas de Odé continuaram enlouquecidas e, tomando suas peles, fugiram dali, levando consigo os herdeiros de Odé, abandonando o lar do caçador para eternamente. Quando Odé retornou para residência, concedeu-se conta de que perdera as esposas e os rebentos e prontamente descobriu que a trama toda fora perpetrada pelos próprios parentes. Inconformado, apercebeu-se da armadilha do irmão, que o embebedara, mesmo conhecendo seu tabu. Presenteou-se conta de como, erroneamente, confiara no irmão. Cada vez mais Odé perdia a cabeça. Entregou-se conta do ebó que não fizera, que ainda devia a Exu. Mais e mais desesperado ficava Odé, mais e mais crescia seu ódio contra o irmão. Odé experimentou, no fundo do coração, o amargo desejo de vingança. Atormentado e infeliz, Odé pegou do arco e seta e matou o irmão traidor.

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