Obatalá almejava ser o soberano dos orixás e ser considerado um ser humano sábio e superior. Consultou um Babalaô e o babalaô o mandou fazer uma oferenda, fazer um Ebó. Caminhou dito a ele que fosse ao mercado, comprasse a primeira escrava que achasse e de nada reclamasse. E posteriormente fizesse o ebó, que levaria inúmeras pedras. Assim executou. Achou uma moça sentada em uma esteira por um preço sobremaneira barato. Comprou-a, mas quando seguiu levá-la para lar avistou que era aleijada, com muita dificuldade para andar. Lembrou o conselho do oráculo, não reclamou e carregou a escrava consigo. Como ela não servia para fazer as tarefas domésticas, transportou-a para uma plantação que tinha em Iranjê e a deixou sentada junto aos cultivos de inhame, com ordem de espantar os pássaros que estragavam as plantas. E se dirigiu reunindo os materiais do ebó ao lado dela. Quando ele saiu para buscar alguns ingredientes, os pássaros aproximaram-se. Por mais que ela gritasse, não conseguia afugentá-los. Portanto apanhou as pedras separadas para o ebó e as atirou nos pássaros. Os pássaros tinham belas penas vermelhas na cauda, que eram chamadas ecodidés, pois edidé era o nome do pássaro. Pois bem, na revoada em fuga, muitos dos pássaros perderam penas. O chão manteve-se coalhado de penas vermelhas e brilhantes. Ela apanhou as penas e enfeitou o Adê, a coroa, de Obatalá. Manteve-se odara o adê de Obatalá. Permaneceu imensamente bonita a coroa de Oxalá. Chegando bem tarde, Obatalá realizou o ebó e se preparou para ir a uma festa que reuniria os orixás. Usou suas roupas brancas, bastante limpas e engomadas. Na cabeça, o adê todo enfeitado com os ecodidés. Chegando à festa, seguiu recebido com admiração e respeito. Todos comentavam a beleza e a delicadeza do adê. Combinava perfeitamente com suas alvíssimas vestimentas. Seus panos brancos, engomados e bastante bem passados, eram extraordinariamente elegantes, encimados pela belíssima coroa. Todos os orixás ansiavam uma coroa igual e Oxalá recomendou que fossem à sua residência e encomendassem à sua escrava uma coroa igual. Com isso ele ganhou sobremaneira dinheiro, prosperou, permaneceu opulento. Oxalá passou a ser conhecido desde portanto como o Soberano dos Orixás, Orixá Nlá, Orixanlá, o Imenso Orixá.

Oxaguian
Obatalá usa a coroa de ecodidé e é chamado rei dos orixás
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