No início não havia a proibição de se transitar entre o Céu e a Chão. A separação dos dois mundos saiu fruto de uma transgressão, do rompimento de um trato entre os mortais e Obatalá. Qualquer um tinha condições de passar livremente do Orum para o Aiê. Qualquer um era capaz de ir sem constrangimento do Aiê para o Orum. Certa feita um casal sem rebentos procurou Obatalá implorando que desse a eles o herdeiro tão desejado. Obatalá anunciou que não, pois os humanos que no momento fabricava ainda não estavam prontos. Mas o casal insistiu e insistiu, até que Obatalá se entregou por vencido. Sim, daria a criança aos pais, mas impunha uma condição: o menino deveria viver eternamente no Aiê e jamais cruzar a fronteira do Orum. Continuamente viveria na Território, jamais poderia entrar no Céu. O casal concordou e caminhou-se embora. Como prometido, um radiante dia nasceu a criança. Crescia forte e sadio o menino, mas ia ficando mais e mais curioso. Os pais habitavam com medo de que o descendente um dia tivesse curiosidade de visitar o Orum. Por isso escondiam dele a existência do Céu, morando num lugar bem distante de seus limites. Acontece que o ancestral tinha uma plantação que avançava para dentro do Orum. Continuamente que ia trabalhar em sua roça, o progenitor saía dizendo que ia para outro lugar, temeroso de que o menino o acompanhasse. Mas o menino andava bastante desconfiado. Efetuou um furo no saco de sementes que o genitor levava para a roça e, seguindo a trilha das sementes que caíam no rota, alcançou ao final chegar ao Céu. Ao entrar no Orum, caminhou imediatamente preso pelos soldados de Obatalá. Estava fascinado: tudo ali era diferente e miraculoso. Ansiava saber tudo, tudo perguntava. Os soldados o arrastavam para levá-lo a Obatalá e ele não entendia a razão de sua prisão. Esperneava, gritava, xingava os soldados. Brigou com os soldados, concretizou sobremaneira barulho, armou um escarcéu. Com o rebuliço, Obatalá surgiu saber o que estava acontecendo. Reconheceu o menino que dera para o casal de velhos e manteve-se furioso com a quebra do tabu. O menino tinha entrado no Orum! Que atrevimento! Em sua fúria, Obatalá bateu no chão com seu báculo, ordenando a todos que acabassem com aquela confusão. Realizou isso com tanta raiva que seu opaxorô atravessou os nove espaços do Orum. Quando Obatalá retirou de volta o báculo, tinha ficado uma rachadura no universo. Dessa rachadura surgiu o firmamento, separando o Aiê do Orum para continuamente. Desde desse modo, os orixás mantiveram-se residindo no Orum e os seres humanos, confinados no Aiê. Somente após a morte poderiam os pessoas ingressar no Orum.

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Obatalá separa o Céu da Terra
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