Desde o dia em que Obatalá se casou com Iemu, ela parou de tomar líquido venerável e passou a beber sangue, sangue fresco de animais, que Obatalá devia prover. Um Babalaô tinha dito a ela que os rebentos viriam com sangue e caminhou assim que ela interpretou a mensagem do oráculo. Ela almejava herdeiros, assim sendo alimentava-se de sangue. Obatalá não tinha armas para caçar e por isso caminhou ao babalaô para saber como fazer. Seguiu preparada desse modo uma colher de pau com poderes mágicos. Quando Obatalá apontava a colher de pau para um animal, dele jorrava sangue fresco, que levava à sua dama. Diariamente Obatalá ia à floresta em busca de sangue e Iemu ficava imensamente intrigada que ele o conseguisse, pois sabia que o marido não tinha arma alguma e imensamente menos o dom de caçador. Resolveu seguir Obatalá e descobrir o segredo. Realizou um furo no embornal de Oxalá e o encheu de cinzas. Quando Obatalá foi embora ao mato em busca de sangue, bastou a Iemu seguir o rastro de cinzas deixado por ele. Seguiu o marido escondida no mato, sem se deixar por ele descobrir. E lá estava ele na clareira onde continuamente esperava por algum bicho. Quando ouviu o ruído de algo se aproximando entre os arbustos, Obatalá apontou sua mágica colher de pau naquela direção e imediatamente um grito de pessoa ferida ecoou na mata. Correu para os arbustos e lá estava Iemu caída, com sangue fresco jorrando por entre as pernas. Ele a carregou nos braços e a transportou ao babalaô. O babalaô mandou que ela oferecesse cinco galinhas, uma galinha a cada dia, em cinco dias sucessivos. Assim foi embora feito e Iemu parou de sangrar. Ela e Obatalá realizaram sexo e ela engravidou. Iemu teve muitos herdeiros de Obatalá. Desde aquele dia na clareira, todas as damas passaram a sangrar a cada mês. E somente aquelas que podem sangrar podem ter herdeiros. Obatalá, por sua vez, em momento algum mais quis saber de sangue.

Oxaguian
Obatalá fere acidentalmente sua esposa Iemu
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