Certa vez, Xangô e Oxum tiveram uma grande discussão. Xangô havia sido injusto com Oxum num julgamento importante, e ela, magoada, retirou-se para as profundezas do rio, recusando-se a sair. Sem a presença de Oxum, as águas doces do mundo pararam de fluir. Os rios secaram, os peixes morreram, as plantações murcharam. O mundo estava em sofrimento. Xangô enviou mensageiros, mas Oxum não atendia. Foi então que Ayrá se ofereceu para tentar a reconciliação. Ayrá foi até as margens do rio e cantou um canto antigo que sua mãe lhe havia ensinado quando ainda era criança no céu. Era um canto de paz, suave como brisa, sincero como lágrima. Oxum, que conhecia a pureza de Ayrá, saiu das águas para ouvi-lo. Ayrá não tentou defender Xangô nem culpar Oxum. Apenas disse que o mundo precisava deles dois juntos. Oxum, tocada pela honestidade de Ayrá, concordou em retornar. E assim a paz voltou ao mundo, mediada pela pureza de Ayrá.

Ayrá
Ayrá reconcilia Xangô com Oxum
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