Conta a tradição que Ewá vivia às margens de um rio cristalino, onde se banhava todas as manhãs antes do sol subir. Um dia, um jovem guerreiro, aconselhado por espíritos malevolentes, decidiu capturá-la para torná-la sua esposa. Ele construiu uma armadilha com redes de cipó nas margens do rio. Mas Ewá, que conhecia os segredos das águas, sentiu o perigo antes mesmo de se aproximar. Em vez de fugir pela superfície, Ewá mergulhou nas profundezas e encontrou um túnel subterrâneo que a levou para longe. Ela emergiu numa terra distante, entre pântanos e florestas inexploradas, onde nenhum mortal jamais pusera os pés. Ali ela construiu seu domínio. O guerreiro esperou à beira do rio por dias e noites, mas Ewá nunca voltou. Diz-se que ela ainda habita as fronteiras entre o mundo dos vivos e o dos mortos, senhora dos lugares onde a água e a terra se encontram em silêncio.

Ewa
A fuga de Ewá para as entranhas da terra
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